O Senhor do Algodão Doce

Estava entretido com as crianças que brincavam em meio à poeira que subia. Sem notar, apareceu um senhor do meu lado. Ele não falava nada, apenas observava. Seu semblante era quase inexpressivo. Notei em sua mão direita um bastão com sacos de algodão doce, olhava para as crianças na esperança de vender algum.

Com o passar dos minutos tive que falar pra ele: “Acabei de comprar um lanche para elas, acho que não vão querer e tão poucos seus pais tem como dar”. Ele virou o seu rosto para mim e notei um olhar profundo de tristeza. Pareciam marejados por natureza. Sua pele queimada pelo sol e sua face cheia de rugas remetia há uma vida que não foi fácil.

Ele não expressou nenhuma palavra. Continuou parado. Balbuciou para uma delas: “Fale com sua mãe para comprar um algodão doce”. De tão baixinho ela não escutou.

Olhei para seus pés, estavam encobertos pela poeira. As chinelas surradas, as unhas quebradas e as marcas da vida que não foi fácil. Debaixo do sol escaldante daquela manhã, ele tentava vender o seu produto. Não compreende nada sobre negócios, mas sabe o que é fome por isso tentava fugir dela.

Não quis falar mais nada, vi que ele não compreendia os meus argumentos. De tantos assuntos, regras e estudos a vida se complexa em um labirinto que pessoas como ele não podem entrar. Nem todos estão procurando respostas, projetos ou sacadas, eles procuram a vida debaixo do sol que perdeu o sentido desde os tempos de Salomão. O sol continua nos castigando e a poeira subindo por nossos pés. Podemos nos abrigar em prédios e nos refrescar no ar condicionado, mas a vida continua valendo debaixo do sol. Para muitos como ele que tiveram uma vida sem ascensão, na sua velhice, o que eles têm é isso. Não existem argumentos para ele.

Preferi deixar o momento me levar, comprei o que pude de algodão doce. Seus olhos esbugalharam e agora conseguia sentir um pouco de emoção da sua parte. Apertou firmemente em minha mão e me deu um lisonjeiro “Deus o abençoe”. Com passos curtos o vi distanciar. Vi de longe se sentar em uma lanchonete que servia caldo de cana e salgado. Após a sua labuta, a merecida recompensa por todo seu esforço debaixo do sol. Venceu um dia.

Moisés Nogueira de Faria
@moisesnogueiraoficial
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Moisés Nogueira de Faria
Escritor e Blogueiro

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