O Filho Patrão e o Filho Servo

filho servo

A parábola do Filho Pródigo é a história do filho de um senhor muito próspero que pediu a sua parte da herança para viver segundo a sua vontade; ele era filho, porém tinha que trabalhar como os outros empregados, e por isso desejou antecipar seus benefícios para não ter que servir mais e então poder aproveitar da riqueza de que tinha direito. Com o seu dinheiro em mãos, gastou tudo em festas e amizades até o ponto de ficar na miséria. Sem dinheiro, tentou trabalhar cuidando de porcos em uma fazenda, foi quando se lembrou de que até os servos do seu pai comiam muito bem, melhor inclusive do que ele naquele momento. Desejando novamente ser trabalhador de seu pai, regressou então para casa e, para sua surpresa, foi muito bem recebido por ele. Mas isso só ocorreu porque seu sentimento havia mudado: depois de tanto sofrimento, ele queria ser apenas servo de seu pai, não tinha mais direitos a reivindicar nem esperava ser tratado como um filho.

Quando somos filhos de alguém muito rico, o nosso entendimento é que somos também ricos; ora, se o meu pai é rico, logo eu sou rico também! Salomão questionava essa regra, pois achava errado o filho ser possuidor daquilo que o pai havia construído durante toda uma vida. Para ele, o dono era somente aquele que conquistara suas posses. Na história relatada, o filho pródigo (antes de passar por todo sofrimento) demonstrou que não queria ser servo, mas patrão, pois, diante de toda riqueza do pai, não aceitou o fato de ser simplesmente um assalariado.

Sempre existiram os questionamentos dos filhos de Deus sobre os seus direitos, mas pouco se fala dos deveres deles em relação ao Pai; sobre isto, versa o primeiro mandamento com promessa:

Filhos, obedeçam a seus pais no Senhor, pois isso é justo. “Honra teu pai e tua mãe”, este é o primeiro mandamento com promessa: “para que tudo te corra bem e tenhas longa vida sobre a Terra”. Efésios 6:1-3

O primeiro direito de um pai é ser honrado e obedecido, da mesma forma que deve ocorrer a um senhor; um servo precisa obedecer e honrar o seu senhor. O filho pródigo não queria se submeter ao seu pai; aquele que não quer ser servo é porque quer ser senhor. Todos que têm problemas em ser submissos, obedecer a regras e receber ordens é porque se acham, em algum ou em todos os pontos, superior a quem está em uma posição acima.

“O filho honra seu pai, e o servo o seu senhor. Se eu sou pai, onde está a honra que me é devida? Se eu sou senhor, onde está o temor que me devem?”, pergunta o Senhor dos Exércitos a vocês, sacerdotes. Malaquias 1:6A

Em Malaquias, são retratadas atitudes e palavras contra Deus de pessoas que, apesar de serem filhos legítimos, não queriam honrar e respeitar o Pai. Essas pessoas reclamavam que os desobedientes eram mais felizes do que eles, já que nunca recebiam punição e ainda assim prosperavam; eles tinham uma visão semelhante ao do filho pródigo.

Vocês dizem: “É inútil servir a Deus. O que ganhamos quando obedecemos aos seus preceitos e andamos lamentando diante do Senhor dos Exércitos?” Malaquias 3:14

Ainda neste livro da Bíblia, Deus é apresentado como um pai com filhos que reclamam e falam mal dele; desrespeitam e ofendem-no. Por quê? Simplesmente para obterem o que querem. Este é o retrato de um filho que não quer servir, mas quer ter. No entanto Deus procura filhos que querem servir e que são obedientes; o Senhor tem compaixão dos filhos que o obedecem.

No Novo Testamento, Jesus revela uma nova abordagem para um conceito antigo. Ele utiliza-se de um “slogan” para atrair pessoas de mentalidades diferentes, de uma frase de efeito, baseada no relacionamento idealizado pelo Pai, que marca o ministério de Jesus: “O Reino de Deus está próximo!” Essa frase, em sua origem, era a marca Evangelho. A boa notícia estava chegando. Jesus disse aos seus discípulos: “Levem as boas notícias, o Reino de Deus está próximo!” Esse era um grande acontecimento, mas, com o passar dos anos, tornou-se como o símbolo do fim; a boa notícia então se transformou em má! Mas o slogan de Jesus não tinha, nem tem, a intenção de marcar o fim, mas o recomeço, é a chegada do Evangelho, uma notícia agradável a quem se vê como filho e sonha em se relacionar com Deus.

“O Reino de Deus está próximo”, essa frase pode ser interpretada como o Reino de Deus está acessível; para quem quiser participar dessa realidade é possível aqui e agora; o Reino de Deus se tornou fácil. O próprio Senhor já havia avisado sobre isso em Jeremias, falou que Ele se tornaria fácil de encontrar e que o Reino é a facilidade de encontrá-Lo. Uma pessoa pode se ver como filho de Deus, mas existem muitos filhos, e os que estão agradando ao Pai estão no reino e servindo-O.

Uma pessoa pode estar na casa do pai, comendo na mesa do pai, assistindo a televisão do pai… No entanto, todas essas situações são de conforto; aquele que realmente busca agradar o pai, esse sacrifica: certamente está trabalhando. A alegria do pai do filho pródigo foi vê-lo voltar com a mente transformada; ele sabia que seu filho, antes mesmo de ter saído da casa, já estava perdido, por isso precisava de renovação. Foi necessário o filho pródigo então sair e perder tudo para ter uma nova mentalidade, uma mente de servo; foi necessário ele sair para aprender a honrar o seu pai e a respeitá-lo. Muitas vezes é necessário perder para aprender a dar valor.

Uma pessoa pode estar na casa do pai, comendo na mesa do pai, assistindo a televisão do pai… No entanto, todas essas situações são de conforto; aquele que realmente busca agradar o pai, esse sacrifica: certamente está trabalhando.

Quem lê a parábola do filho pródigo entende que, dos dois irmãos, o que ficou em casa foi o prejudicado e que aquele que saiu recebeu mais. Na verdade, isso é um equívoco, pois a quem foi antecipada a herança, foi dado também um tratamento de Deus, perdas foram necessárias para que os valores pudessem ser revistos. Mas o outro, esse tinha à disposição todos os recursos que lhe eram necessários, ele possuía tudo de que precisava, inclusive a presença do Pai.

Disse o pai: ‘Meu filho, você está sempre comigo, e tudo o que tenho é seu. Lucas 15:31

A proposta do Evangelho é encontrar filhos obedientes que queiram servir, e Deus recompensa essas pessoas. As cinco atitudes que geram recompensa são de filhos de Deus que agem como servos, que honram e obedecem ao seu pai e tratarem-no como o seu senhor. Os que fazem isso são aqueles que agradam ao pai e que receberão dele um tratamento apropriado, usufruirão de seus bens; eles se achegam ao pai como um servo, por isso serão tratados como filhos. Já aqueles que desejam ser tratados como filhos acabarão como escravos.

O Reino de Deus é a porta aberta para aqueles que desejam ser servos de Deus, pois filhos já são, mas desejam servir ao Pai obedecendo-o e honrando-o a todo instante. Paulo diz que as leis de Deus são justas exigências; aquele que é filho-servo assim vê as leis do Senhor, mas o filho-patrão se vê no direito de questionar e de não seguir as regras. O filho que é servo ama o Reino de Deus e busca agradar Àquele que é o seu pai e patrão, aquele que faz as cinco atitudes alcançam as recompensas e agradam o pai.

Ninguém começa um relacionamento já sendo amigo, pois não existe intimidade suficiente para isso; no máximo se inicia um coleguismo, que, com o tempo, caminha para a amizade – assim também ocorre com Deus.

O filho-patrão precisa ser tratado, enquanto o filho-servo é presenteado; com anos de serviço, este se torna mais que um servo, evolui para amigo. A palavra “amigo” deriva da palavra amor, então o amigo não faz um benefício ao outro visando o pagamento, mas age motivado pelo amor, pelo respeito e pela honra que tem por ele. Um cuida do outro, isso é amizade; no Sermão da Montanha, é dito que, se fazemos algo a um amigo, não teremos nenhuma recompensa, pois isso é o certo a se fazer. Em uma verdadeira amizade, já não existem mais recompensas, existem presentes. Um relacionamento com Deus que se iniciou baseado no serviço pode evoluir para uma amizade; o amigo então não receberá mais recompensa, mas presentes; ele não dará algo intencionando receber, de troca, outro benefício; na amizade, os dois lados naturalmente contribuirão e os dois lados receberão. Logo a pessoa que tem um relacionamento com Deus não ora e jejua mais para receber, mas faz para agradar o Criador, e o Pai não age em retribuição aos atos do filho, mas se alegra em dar ao filho presentes no Seu tempo devido, não como retribuição, mas por ser um amigo.

Ninguém começa um relacionamento já sendo amigo, pois não existe intimidade suficiente para isso; no máximo se inicia um coleguismo, que, com o tempo, caminha para a amizade – assim também ocorre com Deus. Ele tem filhos desconhecidos, filhos rebeldes e filhos que O servem procurando agradá-Lo. É possível ser um filho desconhecido de Deus e até considerado ilegítimo, pois nunca foi criado por Ele, mas é possível ser um filho legítimo que não é amigo e nem servo, ou até se pode optar por ser um servo que investe em atitudes que o levarão a ser um amigo.

Ele fará com que os corações dos pais se voltem para seus filhos, e os corações dos filhos para seus pais; do contrário eu virei e castigarei a terra com maldição. Malaquias 4:6

Deus enviou Jesus para que os corações dos filhos se voltem aos corações dos pais, e os dos pais aos dos filhos; essa atitude certamente promoverá a honra e obediência, e assim a reconciliação na família.

Quem entra no Reino de Deus é quem se submete e se dobra à vontade absoluta do seu rei. Esse age em dependência, reconhecendo que, em sua vida, é o rei quem decide e manda, e ainda possui uma mente renovada, capaz de experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

 

Trecho do livro UM RELACIONAMENTO MAIS CONSISTENTE COM DEUS.

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Moisés Nogueira de Faria
Escritor e Blogueiro

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