A Igreja Perfeita para Gente Imperfeita

 

Quando entramos em uma comunidade, alegramo-nos com tudo o que vemos, fazemos amizades novas, temos ministérios novos para servir, tudo parece perfeito. Mas, com o tempo, começamos a notar os defeitos das pessoas e já não a achamos tão boa assim. Quanto mais tempo em um local, mais se notarão os seus problemas. É como se fossem duas placas de pedra que, ao se esfregarem uma contra a outra, se quebram e criam desgastes. O tempo de relacionamento causa desgastes relacionais que somente o perdão pode curar. Como diz um pastor amigo meu, toda comunidade tem fofoca, tem “panelinha”; e, se um dia você encontrar uma que não as tenha, não entre lá para não estragar o ambiente. Onde tem gente tem divisões e falatórios. Não existem pessoas perfeitas, mas a todos podemos perdoar e caminhar juntos. Ninguém é tão incrível a ponto de nunca ter falado de alguém ou ter errado. Sendo assim, a comunidade é um local de pessoas imperfeitas, que podem cooperar umas com as outras e crescer em Graça diante de Deus. Podemos compreender o pecado dos outros, eles podem compreender o nosso e juntos podemos perseverar em Cristo, pois Ele é perfeito e pode levar-nos à salvação.

Em muitos casos não é a pessoa que foi excluída, mas ela mesma se excluiu, não amando aquele local que a acolheu, mas antes mostrando a sua insatisfação por ser alvo de uma disciplina ou por ter sido repreendida.

Devemos aprender a ter misericórdia de nossa comunidade também. Ela não é perfeita. O pastor não é perfeito; os ministros não são perfeitos; assim como cometemos erros, eles também os cometem. Paulo estava errado ao julgar apressadamente aquela pessoa, e nem por isso deixou de ser um apóstolo ou um servo de Deus. Seu coração estava angustiado e por isso ele escreveu aquelas coisas. Quando estamos assim, podemos falar coisas que não devemos ou ser mal interpretados como ele foi. Mas, assim como a misericórdia vai, ela vem e é atuante dos dois lados: tanto o transgressor é alvo dela quanto a comunidade e o seu líder. Em muitos casos não é a pessoa que foi excluída, mas ela mesma se excluiu, não amando aquele local que a acolheu, mas antes mostrando a sua insatisfação por ser alvo de uma disciplina ou por ter sido repreendida. Não aplicou o seu coração àquele lugar, mas antes quis viver amargurada e ressentida em vez de perdoar os seus irmãos e viver em paz com eles.

Se vocês perdoam a alguém, eu também perdoo; e aquilo que perdoei, se é que havia alguma coisa para perdoar, perdoei na presença de Cristo, por amor a vocês, a fim de que Satanás não tivesse vantagem sobre nós; pois não ignoramos as suas intenções. (2 Coríntios 2: 10, 11)

A igreja é um lugar de misericórdia, onde o perdão tem via dupla. Todos são suscetíveis de erro, tanto aquele que o comete quanto os que o acusam. Mas é bom saber que todos podem perdoar também, tanto o que acusa quanto o acusado. O diabo age na falta de perdão e de compreensão. Se somos omissos, ele é atuante, mas se existe amor não existe espaço para ele atuar.

Trecho do livro Misericórdia