MISERICÓRDIA

Certo dia, Jesus estava em casa quando recebe uma visita inesperada: um grupo de pecadores veio visitá-lo. Sim, pecadores. Assim o grupo que adentrou a casa de Jesus foi identificado. Estranho alguém ser chamado assim, ninguém é apelidado de pecador, é algo muito ofensivo. As pessoas são identificadas por parentescos, características físicas e profissões, mas aquelas pessoas assim eram chamadas: pecadores. Um rótulo subversivo. Eram publicanos (cobradores de impostos de Roma, considerados como traidores) e “pecadores”. Entende-se então que os “pecados” deles eram chamativos: deveriam ser alcoólatras, prostitutas, ladrões e todo tipo de pessoa malvista pela sociedade; então algumas pessoas se viam no direito de apontar o dedo para eles e lhes creditarem este título: pecadores.

O grupo que adentrou a casa de Jesus chamava a atenção. Tanto que atraiu pessoas do lado de fora. Deviam ser moradores de rua, bêbados, prostitutas e todo tipo de pessoa ignorada pela sociedade. O grupo era tão seleto que os sacerdotes daquele tempo não entraram junto: ficaram de fora para ver o que aconteceria. Jesus, com os seus discípulos, recebeu os convidados inesperados e sem nenhum problema os atendeu. A cena era estranha: Jesus, os discípulos, os publicanos e os pecadores dentro da casa e os fariseus (grupo de judeus devotos à Torá) do lado de fora.

Um dos fariseus, ao ver o que acontecia, chamou um dos discípulos de Jesus, provavelmente pela janela, e perguntou: “Por que o mestre de vocês come com publicanos e pecadores?” Jesus ouviu a conversa e ele mesmo providenciou a resposta adequada ao questionamento do sacerdote.

Ouvindo isso, Jesus disse: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Vão aprender o que significa isto: “Desejo misericórdia, não sacrifícios’. Pois eu não vim chamar justos, mas pecadores”. (Mateus 9: 12, 13)

Primeiro Ele fala de pessoas saudáveis e doentes, e como médico Ele atende as pessoas doentes. Naquele momento a casa d’Ele era como um hospital e estava atendendo quem precisava de ajuda. Mas a sua frase “Desejo misericórdia, não sacrifícios” é inquietante! Desde aquele tempo até os dias de hoje temos religiões baseadas em sacrifícios. Até na igreja moderna se valoriza o sacrificar, ou seja, ofertar a Deus algo que lhe custe um preço. Muitos fazem ofertas a Deus. Tem gente pagando penitência e promessas em muitos lugares do mundo, fazendo campanhas de oração e jejum, dedicando a isso grande parte do seu tempo. Seria tudo isso em vão? Jesus lança uma palavra para tirar o valor dessas coisas? Seria Jesus contra o sacrifício?

Por muitos dias procurei uma resposta para esse questionamento. O que Jesus quis dizer? Acredito que é uma passagem muito rica, então comecei a perguntar às pessoas o que pensavam disso e muitas foram as respostas. Duas foram muito interessantes e por isso as coloco aqui.