Quarta Atitude: Amar os Necessitados

amar os necessitados

Mas quando você der esmola, que a sua mão esquerda não saiba o que está fazendo a direita, de forma que você preste a sua ajuda em segredo. E seu Pai, que vê o que é feito em segredo, o recompensará”. Mateus 6:3,4

Um princípio chave no Evangelho é a disposição de se importar com as necessidades de outras pessoas. Deus demonstra envolvimento com a humanidade quando decide ajudá-la proporcionando-lhe uma possibilidade de mudança de vida. Ele, motivado por profundo amor, age sem visar nenhum benefício em troca, sem necessidade que lhe ofereçam honras e ganhos diretos.

O ato voluntário não mira uma recompensa do necessitado, não é movido pelas capacidades deste ou pelo retorno que dará, mas é uma doação àquele que precisa de uma ajuda inclusive, muitas vezes, para que mude; é um oferecimento de socorro sem que sejam julgados o passado ou os atos errados de quem irá receber a ajuda. Uma atitude de compaixão nasce constantemente de uma visão realista: se ninguém ajudar o necessitado, nada mudará em sua vida. A piedade ignora o histórico de erros da pessoa e considera somente o seu presente; quando alguém tem necessidade de mudanças, mas não apresenta condições de conseguir alcançá-las sozinho, necessitando de ajuda pra avançar, pode-se optar por dois caminhos: considerar os erros dessa pessoa e não dar-lhe uma oportunidade de mudança; ou ignorar o passado dela para que assim possa influenciar o seu presente, dando-lhe então uma ocasião favorável para o futuro. A misericórdia de Deus ignorou o passado da humanidade e todo o seu histórico de pecados e inimizades com Ele. Em um ato de amor único, o Senhor entregou o Seu próprio filho para amar a todos e morrer por eles, pois Ele via no ser humano não uma natureza caída, mas uma pessoa com um corpo glorificado. Deus deu ao homem a oportunidade de mudança, e o nome disso é Graça, um favor imerecido; ninguém merecia perdão de suas falhas, mas o Senhor amou o mundo e demonstrou-lhe esse sentimento não somente com palavras, mas com atitudes. Jesus o filho, que foi servo até a morte, foi obediente ao propósito de Deus, amando a todos indistintamente.

E o desejo do Pai é que todos sejam imitadores dEle, ou seja, que tenham misericórdia e compaixão para com pessoas inimigas e intoleráveis, pois assim elas poderão ser alcançadas pelo Evangelho. Aqueles que servem a Deus precisam ter a atitude de amar os necessitados, auxiliar pessoas de acordo com a sua capacidade; isso não evidencia que este servo não tem debilidade, mas certamente, com a disposição para o auxílio de mãos amigas dispostas a levar o alimento ou suprir as necessidades, até suas falhas serão compensadas.

O ato voluntário não mira uma recompensa do necessitado, não é movido pelas capacidades deste ou pelo retorno que dará, mas é uma doação àquele que precisa de uma ajuda inclusive, muitas vezes, para que mude; é um oferecimento de socorro sem que sejam julgados o passado ou os atos errados de quem irá receber a ajuda. Uma atitude de compaixão nasce constantemente de uma visão realista: se ninguém ajudar o necessitado, nada mudará em sua vida

Podem-se doar alimentos, roupas, remédios, móveis e outros bens, assim como também é possível doar um abraço, um sorriso, uma conversa, uma atenção ou ainda compartilhar uma palavra ou a mensagem vivificadora do Evangelho. Cada um tem algo a oferecer, desde bens materiais a bens espirituais, e a oferta agradável a Deus é aquela que demonstra interesse em promover o Reino de Deus sem visar nenhum ganho com tal ato.

Muitas pessoas se promovem por meio de suas doações, anunciam a todos o seu voluntariado, porém se engajam na causa não pelos necessitados, mas para justificar sua falsa bondade; têm a aparência de piedosas, entretanto o seu foco não é a misericórdia, mas os olhares das pessoas. A ajuda aos necessitados pode se tornar um trabalho carnal quando o “ajudador” se promove com os eventos e obtém vantagens pelo seu voluntariado. Se alguém obtiver uma salva de palmas na terra, não a terá no céu; mas tudo aquilo que não for recompensa aqui, será compensado nos lugares altos. É bem certo ajudar os necessitados, mas, quando isso for feito por uma pessoa de coração corrompido, não existirá generosidade e o amor não será a base de alicerce para o ato.

Quem já trabalhou em assistencialismo já ouviu falar que não deve haver envolvimento emocional de quem ajuda para com os amparados. No entanto, quem consegue oferecer auxílio sem que haja sequer um nível, mesmo que superficial, de envolvimento age com cinismo, indiferença à dor humana, visa somente o processo do socorro, mas não tem compaixão pela vida ajudada. É necessário ter amor pelo necessitado e entender que todos têm problemas e dificuldades; prazeroso é poder olhar para o lado e ajudar o próximo na caminhada, não o condenando, pois quem condena o semelhante é passível de condenação. Em vez de apontar ao outro suas falhas, deve-se enxergar nele a possibilidade de aperfeiçoamento da própria alma através da prática da compaixão e da misericórdia.

Ao ver as multidões, teve compaixão delas, porque estavam aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor. Mateus 9:36

 

Quem já trabalhou em assistencialismo já ouviu falar que não deve haver envolvimento emocional de quem ajuda para com os amparados. No entanto, quem consegue oferecer auxílio sem que haja sequer um nível, mesmo que superficial, de envolvimento age com cinismo, indiferença à dor humana, visa somente o processo do socorro, mas não tem compaixão pela vida ajudada.

Às vezes é necessário deixar a lógica e a razão para reconhecer o sofrimento do próximo; entender que, em uma sociedade meritocrática, muitos não são vencedores, mas estão em uma situação de desgraça física, moral e emocional por sua própria causa, por ignorar regras, condutas e o próprio Deus, por não ter ajuntado recursos financeiros que garantam uma vida tranquila. Muitos foram desperdiçadores, ignorantes ou irresponsáveis, todavia ainda existem as pessoas que não agiram assim, mas tentaram e se esforçaram muito em fazer o que era correto; no entanto, por situações e contextos incontroláveis a ela, foram derrotadas pelas adversidades e se tornaram vítimas das circunstâncias. Ambos os casos são passíveis de compaixão; é preciso haver um entendimento maduro de que o passado, condenável ou não, possa ter gerado uma pessoa com um grande problema e aprisionada no contexto da existência; e esta é uma condenação assinada, muitas vezes, por todos que estão perto. Aos olhos desse condenado, não há opções de livramento do problema, mas uma ajuda externa poderá fazê-lo vislumbrar possibilidades, vivenciar a mudança necessária para sua vida. Quem tem esse entendimento e real desejo de posicionar-se como um braço auxiliador do outro é espiritual e já tem percepção sensível e divina das dores do mundo.

Deus sempre tem recompensa a oferecer àqueles que decidem se importar com os outros sem buscar méritos para si, aos que olham para o lado e tentam suprir as necessidades de algumas pessoas ao seu alcance. Interessante é perceber o caminho natural e contagiante do bem: os que são ajudados auxiliarão a outros também, e então uma rede de compaixão se formará; a virtude será passada de um para o outro.

Trecho do livro UM RELACIONAMENTO MAIS CONSISTENTE COM DEUS.

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