Seu João

Um dia o Pr. Clésio nos levou à casa do seu João, seu conhecido. Queria que nós o conhecêssemos também. Paramos nosso carro em frente a sua casa, que se destacava pela cor verde e pelas plantas que ficam na entrada. Entramos em sua humilde casa e na porta já se notava aquele homem de um belo sorriso e semblante agradável. Em sua casa, conhecemos mais da sua história e logo nos sentíamos acolhidos diante de um senhor tão hospitaleiro e feliz apesar dos seus problemas.

João já é idoso, mas não tem aposentadoria. Passou a maior parte da sua vida trabalhando na agricultura no interior do Goiás. Agora vivendo no Sol Nascente não tem muitas condições de trabalhar, não pela idade, pois ele está com toda a vitalidade, mas pelo problema na perna, que lhe causa dores e o impossibilita de fazer mais. Ainda tinha o problema de uma filha de saúde frágil, internada no hospital, onde piorou o seu quadro ao ponto de não conseguir mais andar. Então o nobre senhor trouxe a sua filha para casa, pois lá no hospital estava definhando em meio à indiferença dos profissionais da saúde. Seu João estava sem recursos financeiros, doente e com uma filha que precisava de cuidados, mesmo assim era extremamente cordial e agradável no seu trato com as pessoas.

Nesse dia, estava conosco a Hayana, advogada, que disse ter conhecimento de uma aposentadoria especial para quem trabalhou na agricultura, como era o caso dele. Caso conseguisse alguns documentos que comprovassem o seu trabalho rural, ela iria ver a possibilidade de conseguir o seu benefício. Na mesma semana, ela digitou os documentos que eram necessários e nos orientou onde deveríamos ir e o que se deveria fazer. Pr. Clésio, com todos os documentos necessários, conduziu seu João até os órgãos em que deveria ir. Foi uma caminhada longa, de vários meses, até chegar ao alvo, que era a sua aposentadoria, por fim foi concedida. Ele ficou muito agradecido e feliz tendo a consciência de que nunca conseguiria fazer isso sozinho. Confessava que Deus o ajudou, colocando pessoas que poderiam fazer isso para ele. Nada disso teria acontecido, sem o apoio de nossa amiga advogada, que fez toda a diferença nesse dia, e o esforço do Pr. Clésio em tornar isso realidade. Temos um amigo que um dia disse: a gente só dá o que tem. Ninguém dá o que não tem, mas muitas vezes queremos no projeto social dar o que não temos. Pessoas, que são boas em muitas coisas, tentam realizar algo sem, contudo, ter aptidão. É usar um advogado para tentar construir uma casa ou um médico para colher assinaturas, ou um engenheiro para transportar cestas, não atentando para as capacidades de cada um. O advogado será mais útil analisando os processos jurídicos dos necessitados; o médico é mais útil diagnosticando as pessoas, segundo a sua especialidade; o engenheiro é mais útil planejando novas moradias. Em uma das visitas que fizemos, estávamos com a Vília, diretora de uma escola pública. Só de estar poucos minutos em uma casa conseguiu ver deficiências na educação das crianças daquele lugar. Ela notou que não havia um local adequado para o estudo, pois a mesa não era confortável e não havia lugar para colocar os livros. Assim, a educação encontrava desafios para não se estabilizar naquele lar.

Cada um pode ajudar segundo os seus conhecimentos e possibilidade. Se cada um desse do que tem, faria a diferença em muitas vidas. As obras sociais necessitam de advogados, dentistas, médicos, enfermeiros, educadores, professores, engenheiros, e toda sorte de profissão tendo em vista todo tipo de problema e necessidade. Cada um pode dar mais que cestas de alimentos, pois pode oferecer um grande recurso, o seu conhecimento.

Mês após mês, visitamos a casa do seu João, doando a cesta de alimentos e orando pela sua vida e casa. Vimos a cada mês o seu pé melhorar e a evolução da sua filha que ia se recuperando gradativamente. Ela não teve nenhuma sequela e hoje está cem por cento sã. Ele está aposentado e assim consegue um bom recurso que lhe dá uma maior comodidade em seu mês. Deus fez toda a diferença naquela casa, trazendo provisão e cura, abençoando aquele lar. Passados alguns meses, seu João pediu para que todos que participaram desse processo fossem a sua casa. Ele queria fazer um almoço de ação de graças. Como o lugar era pequenininho, sua filha fez os alimentos e levamos para o templo da igreja do Pr. Clésio e lá comemos juntos, alegrando-nos com tudo que Deus tinha proporcionado para as nossas vidas. Ele estava extremamente grato a todos que o ajudaram e tornou possível a sua vitória.

Existem muitas coisas que nunca conseguiríamos fazer sozinho, talvez por falta de conhecimento ou de fé ou de força. Mas como é bom ter pessoas para nos ajudar nesses momentos de dificuldade. A obra social visa dar essa “mãozinha”, unindo forças para fazer o que é muito difícil fazer sozinho. Existem milhares de pessoas no mundo que estão passando por momentos difíceis por não ter quem as ajude. Recebem condenação por ter tido muitos filhos ou ter baixa escolaridade. Falta compreensão e ajuda para mudar de vida. Não se deveria ficar martelando um passado de erros. Nossa compreensão e ajuda no presente pode ajudar a pessoa a se libertar de sua história de fracasso. Jogamos o passado de derrotas para longe e acreditamos em uma porta aberta para o futuro onde ela pode acabar com o ciclo de erros e poder viver a graça abundante de Deus, que nos liberta de nossa própria história e destino. Muitos são prisioneiros da sua própria história e dos erros dos seus pais, mas Deus liberta e cria uma nova trajetória de vida para eles.

O Espírito do Soberano Senhor está sobre mim porque o Senhor ungiu-me para levar boas notícias aos pobres. Enviou-me para cuidar dos que estão com o coração quebrantado, anunciar liberdade aos cativos e libertação das trevas aos prisioneiros. (Isaías 61:1).