Certo dia, Samuel, o profeta, estava triste, e em seu semblante era nítido o seu descontentamento. O motivo era o rei Saul, homem de boa aparência e com porte de guerreiro. Aquele que foi aclamado pelo povo e escolhido por Deus, outrora humilde e responsável, agora tem atitudes de desobediência ao Senhor. Era necessário que o rei seguisse corretamente as orientações de Deus, não se desviando das ordens do Senhor. Mas o rei não agia assim.

O rei recebia ordens diretas de Deus comunicadas pelo profeta Samuel. As ordens eram claras, mas o rei não as seguia como deveria. Em certa batalha, foi-lhe ordenado para invadir uma cidade e matar a todos que estavam lá, inclusive os animais. Mas o rei decidiu que levaria esses para fazer um sacrifício a Deus. Achou que isso agradaria ao Senhor.

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Muito surpreso ficou o profeta, ao ver o retorno de Saul com os animais, o que fez Samuel exclamar: “É melhor obedecer do que sacrificar!”. O que Deus procurava em um rei era alguém que estivesse disposto a obedece-lhe e ser fiel, uma pessoa que o tratasse com honra e respeitasse os seus preceitos e mandamentos. Deus não se alimenta de sacrifícios, esses servem para os homens. O Senhor ama os obedientes e considera em alto estima os que têm o coração em suas leis.

Samuel, porém, respondeu: "Acaso tem o Senhor tanto prazer em holocaustos e em sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? A obediência é melhor do que o sacrifício, e a submissão é melhor do que a gordura de carneiros. (1 Samuel 15:22).

O novo rei não era o que se esperava e a cada dia que passava mais autoritário ficava. O profeta Samuel tinha medo com relação ao futuro de Israel. A situação ficou sem controle e Samuel nada pode fazer para mudá-la. Antes o profeta era o juiz e poderia decidir o que fazer. Mas essa autoridade lhe foi tirada e transferida para Saul a pedido da população que exigia ter um rei. Por isso, o profeta estava triste.

Deus fala com Samuel e diz: “Até quando você irá se entristecer por causa de Saul? Eu o rejeitei como rei de Israel. Encha um chifre com óleo e vá a Belém; eu o enviarei a Jessé. Escolhi um de seus filhos para ser rei”. Samuel se alegrou, pois Deus abriu-lhe uma possibilidade de mudança. Existia agora outra opção. O Senhor mostraria um novo rei, alguém diferente do atual. Mas a missão era difícil. Saul não poderia saber que seria ungido um novo rei. Samuel deveria dizer que somente iria oferecer sacrifício em Belém e nada mais que isso. Ninguém poderia ter conhecimento do que iria acontecer, nem o novo candidato ao cargo de rei saberia o que estava ocorrendo.

Livro Na Tua Presença Em Teu Espírito, de Moisés Nogueira
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Samuel vai à cidade e isso gera um grande alvoroço entre os líderes de lá. Ele comunica que somente veio para oferecer sacrifícios a Deus naquele lugar. Convida Jessé, um habitante idoso e de grande consideração naquela região, e aos seus filhos para participar dessa cerimonia. Ao se reunirem, algo chamava a atenção do profeta, os filhos de Jessé tinham uma boa aparência e porte de guerreiros, isso logo o alegrou, pois podia ver alguém digno ao trono, alguém que combinava com a realeza de Israel.

A boa aparência dos filhos de Jessé impressionava a todos, menos a Deus. Saul era alto, bonito e tinha todos os atributos externos para ter um alto cargo. Mas o seu interior não refletia o seu exterior. Não era tão bonito por dentro. Por fora parecia um rei, mas por dentro não passava de um escravo aprisionado em sua ambição.

Ao ver o filho mais velho de Jessé, o profeta logo pensou: “É esse!”, mas Deus lhe fala ao coração que não era. Samuel vê o segundo, e também não era. Um a um os filhos do homem de Belém são apresentados, mas a todos o Senhor rejeita.

O profeta estava confuso, pois todos os filhos de Jessé lhe tinham sido apresentados e nenhum deles foi aprovado por Deus. Então ele fica sabendo que existe mais um, que está no campo cuidando das ovelhas. Ele não foi chamado para a festa, tendo sido ignorado pelos irmãos. A grande honra de participar de uma cerimônia com o principal profeta de Israel não lhe foi dada. Ele era o filho mais novo de Jessé e ficará trabalhando no campo durante a consagração.

Samuel manda chamar o moço, que se chamava Davi. Ele tinha boa aparência, cabelos ruivos, porém, em nada parecia com um guerreiro ou o novo rei. Samuel apanha o chifre com óleo e vira sobre a cabeça do pequeno o Davi. O profeta não dá nenhuma explicação porque fez isso. Simplesmente derrama o óleo precioso na cabeça do jovem belemita e vai embora. Davi não sabia o motivo de ser ungido. Também ninguém compreendia. Somente Samuel e Deus sabiam que naquele momento um novo rei havia sido consagrado.