O vento sopra onde quer. Você o escuta, mas não pode dizer de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todos os nascidos do Espírito. (João 3:8)

No Antigo Testamento, o conhecimento sobre o Espírito Santo era muito restrito. Sabia-se de sua existência, mas pouco se dizia sobre quem era. Um dos que mais falou e escreveu sobre a terceira pessoa da trindade foi o rei Davi. Mesmo sem ter referências sobre essa pessoa maravilhosa, o rei de Israel vivenciou e registrou do que aprendeu em seu dia a dia.

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O Santo Espírito não é um objeto de estudo, mas uma pessoa e deve ser tratado como tal. Não se aprende sobre o Espírito Santo, deve-se andar com Ele. Sendo Deus, é tão indecifrável como o Deus Pai e Jesus. Ele é majestoso, perfeito e amoroso. Devemos aprender como andar, escutar, vivenciar, honrá-lo e respeitá-lo como ser divino que é.

Nosso primeiro entendimento sobre ele deve ser: O Espírito Santo é uma pessoa, ou seja, um ser dotado de “sentimentos”, inteligência e tem personalidade própria. É Deus onisciente, onipresente, onipotente, como parte integrante da trindade. Os participantes da trindade sempre concordam entre si. Não existe divisão ou desentendimento entre eles. O vento sopra onde quer, ou seja, ninguém pode mandar ou acreditar que pode controlar o Santo Espírito. Ele é soberano e incontrolável, mas ao mesmo concordante com os planos de Deus Pai.

Quando entramos em uma igreja evangélica de tradição pentecostal, um dos conceitos mais arraigados que se tem é: ser batizado pelo Espírito Santo. Todo novo convertido é ensinado sobre a importância do batismo nas águas e o batismo do Espírito. É meta para todos que seguem a igreja receber esses batismos.

E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, não pertence a Cristo. (Romanos 8:9B).

Com o intuito de alcançar o batismo, dediquei-me ao jejum e à oração, frequentava todas as reuniões de orações coletivas e fervorosamente seguia a todas as orientações que eram passadas; prestava atenção a todas as ministrações, pois acreditava que em algum momento poderia acontecer. Quando se aproximava o final da reunião, preparava-me para ir à frente, perto do altar, para receber a oração, inúmeras vezes o ministro da noite falou que Deus iria batizar pessoas com o Espírito Santo, mas nada ocorria comigo.

Livro Na Tua Presença Em Teu Espírito, de Moisés Nogueira
Livro Na Tua Presença Em Teu Espírito, de Moisés Nogueira.

Certo dia, decidi fazer melhor. Por ocasião de uma viagem de uma semana em outra cidade, decidi que todas as noites iria me dedicar à oração e à leitura da palavra para alcançar o tão sonhado batismo. E então, ao final de cada tarde, após o trabalho que realizaria na cidade, me trancaria no quarto de hotel e me dedicaria a buscar a Deus.

Foi uma semana tão intensa, e vivida com tanta fé que esperava fechá-la com chave de ouro: ser finalmente batizado. Dia após dia, fazia o possível para alcançar a minha meta, que era extremamente difícil, pois orar uma hora somente já era uma eternidade e ainda mais passar a semana toda me dedicando a algo que não fazia o tempo passar, era dispendioso. Mas acreditava que era capaz de realizar esse feito.

Ao chegar o fim de semana, já estava preparado para ter um grande final de semana, mas, para a minha tristeza, o que eu tanto sonhava não aconteceu. Inúmeras vezes tentei fazer algo diferente do comum, mas o resultado era sempre o mesmo, e as minhas opções foram diminuindo, pois, parecia difícil demais.

Já estava acostumado a perseverar no que eu buscava, estava decidido a alcançar. Mas, após bom tempo de tentativas, e não obtendo a resposta que desejava, o ânimo foi sendo substituído por dúvida, questionamentos como “Será que Deus quer me batizar?”, ou “Eu nasci pra isso?”. Essas questões foram tomando o meu coração. Comecei a duvidar que aquilo realmente fosse pra mim. Às vezes, nem todos seriam batizados, e eu poderia ser uma dessas pessoas e então, a empolgação foi paralisada pela sensação de que Deus não queria aquilo pra mim. Eu não seria um dos escolhidos.

Certo dia, ouvi o conteúdo do livro de ensino da igreja que frequentava, nele constava que para alguém trabalhar na obra deveria ser batizado com o Espírito Santo. Nesse tempo, eu já realizava alguns trabalhos naquela comunidade e fui surpreendido por essa informação. Cheguei então ao meu pastor e disse que entregaria o cargo, pois não serviria para essa função devido a não ter recebido o Espírito Santo.

Ele sabiamente me explicou que aquela regra não deveria ser entendida assim, pois existiam pessoas que exerciam as funções na igreja sem ter recebido tal batismo. Mas aquela história já me consumia. Via-me impotente diante de tal situação e perguntava: Como eles conseguiram? O que eles fizeram para alcançar? Qual foi o jeito? Era um questionamento que me seguia, mas ao mesmo tempo deixei de tentar ser o que eu não era. Cheguei à conclusão que não conseguiria.