Naquela mesma semana ocorreria um congresso de homens, e uma turma da igreja iria a esse evento. Decidi ir também, certo de que seria muito legal. Nunca tinha participado de nenhum encontro desse tipo. Combinamos que o grupo da igreja sairia junto, em um comboio de carros até o local do evento. Mas devido o atraso de alguns, saímos muito depois do horário combinado e acabamos chegando ao finalzinho da primeira e única ministração daquela noite. Chegamos com fome pra falar a verdade, porém a reunião já estava acabando. Sentamos nas últimas cadeiras do auditório e ficamos esperando o término do culto. Antes do final, o pastor ministrante daquela noite convidou a todos para a frente, pois naquela noite Deus iria batizar com o Espírito Santo. Pensei comigo: não orei nada essa semana. Como se não bastasse ainda havia chegado ao final da reunião, perdendo o que foi dito naquela pregação. Não achei que poderia acontecer nada pelo meu estado de espírito. Mas como notei que todos estavam indo à frente, acompanhei. Ao chegar comecei a notar que as pessoas já estavam falando em línguas e já se movimentavam dando sinal que o Espírito Santo estava lá. Eu me concentrei para orar e me preparei para me esforçar como era de costume. De repente, o ministrante da noite se aproximou de mim e disse: “Relaxa, não pensa em nada, fique somente falando glória”. Decidi acreditar nele, fechei os olhos, fiquei somente dizendo: glória! glória! glória! Fique marcando passo com a palavra dita, mantendo um ritmo tranquilo. Não fiquei nervoso e ansioso como das outras vezes. Passaram-se alguns minutos assim. Mantive a tranquilidade e o ritmo das palavras e me desapeguei de tudo. Em certo momento, o pastor volta a falar comigo: “Você não notou, mas já foi batizado!” Abri rapidamente os olhos e quando abri a boca, ela estava mexendo sozinha e dizia coisas inexplicáveis. Era uma sensação incrível. Comecei a pular de alegria e desejar que aquele momento não acabasse nunca. Depois disso, entendi que não era eu que geraria o batismo, mas o Espírito Santo, que batiza quando e como quer.

Era necessário que eu compreendesse que não geraria essa etapa em minha vida e que de nenhuma maneira iria ocorrer como eu havia planejado ou pensado. De mil maneiras pensei como seria, mesmo assim Deus escolheu de uma forma diferente. Assim como você pode estar imaginando que lhe poderá acontecer dessa forma é fato preciso dizer-lhe que será de uma maneira totalmente nova e inimaginável. Nós não geramos isso. Nós vivemos o batismo. É ele, o Espírito Santo, que desce sobre nós, e não somos nós que pegamos o cálice e fazemos por nós mesmos.

Imagem sugestiva para Na Tua Presença: Rendição - parte 2

Não são suas orações, não é a sua capacidade, é a sua rendição (Kathryn Kuhlman).

Benny Hinn retrata situação semelhante em seu livro: Kathryn Kuhlman. Após a morte da nobre senhora de Deus, ele é convidado para ministrar um culto especial em memoria dela. Ele olhou para o tamanho do auditório e ficou amedrontado diante do possível público que estaria lá. Nunca foi apresentado à pastora, só a conhecendo de púlpito. Sabia que era respeitada em todos os Estados Unidos e que viriam pessoas de longe para prestigiar aquela noite.

Esse reverendo nunca tinha ministrado com tanta gente, e substituir a senhora Kuhlman não era tarefa fácil. Encontrou com alguém da equipe dela que o orientou a não ficar orando. Deveria dormir e descansar para a noite. Ele ficou assustado e não obedeceu. Sua tarefa seria árdua. Então se dedicou à oração durante as cinco horas que antecederia a reunião para se preparar. No inicio do culto, o auditório estava lotado. Ele não sabia como fazer. Esperou o louvor tocar e ficou angustiado pensando como ministrar. Ao entrar, estava nervoso e não conseguia falar corretamente. Após trinta longos minutos e nada acontecer, se rendeu e disse: “Eu não consigo mais”. Nessa hora, ouviu a voz de Deus dizendo-lhe que era isso que esperava, uma rendição, e que naquela hora Deus assumiria.

Depois de cerca de trinta minutos que pareceram uma eternidade, finalmente levantei meus braços e clamei: "Não consigo! Senhor, não consigo fazer isso!".

Neste exato momento, escutei uma voz que dizia: "Fico feliz porque você não consegue. Agora, eu farei".

Naquele mesmo instante, a apreensão e o medo desaparecerem. Meu corpo físico relaxou. Comecei a falar palavras que não havia preparado e o poder de Deus começou a tocar as pessoas por todo o auditório. Benny Hinn (Livro: Kathryn Kuhlman).

Livro Na Tua Presença Em Teu Espírito, de Moisés Nogueira
Livro Na Tua Presença Em Teu Espírito, de Moisés Nogueira.

Não são pelas orações, apesar de elas serem importantes. Não é pela capacidade, mas pela rendição. A oração e o jejum sendo usado como forma de fortalecimento não têm valor. Mas, quando seu objetivo é dependência de Deus, o poder é liberado.

Ela citou Isaías 52, onde Deus disse: "Desperta, desperta, veste-te da tua fortaleza, ó Sião". Ela explicou que as palavras "Desperta, desperta" significavam "Ore, ore", assim como o Senhor nos disse para "vigiar e orar". Ao longo dos anos, esta mensagem adquiriu um grande significado para mim. O custo pessoal mencionado pela senhorita Kuhlman era a oração - e naquela reunião tomei a decisão de que pagaria o preço. Aquela era a chave para a liberação do poder de Deus (Benny Hinn, no livro Kathryn Kuhlman).

Da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações conhece a intenção do Espírito, porque o Espírito intercede pelos santos de acordo com a vontade de Deus. Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito. (Romanos 8:26-28)

Compreender a rendição é algo extremamente difícil. Como entender a necessidade de dar o melhor e ao mesmo tempo entender que não gerará resultado com isso? É quando compreendemos que o Espírito de Deus não é um robô que funciona em resposta as nossas ações, mas que ele existe e tem inteligência. Ele recebe o nosso esforço e devoção, mas à sua maneira dará a resposta.

A Bíblia diz que ele faz como quer, ou seja, não podemos controlar, programar ou combinar o resultado esperado. O que nos cabe é pedir ou tocar seu coração com nossa fé e perseverança. Tudo começa quando demonstramos um interesse real por Ele e começamos a nos entregar seriamente a esse relacionamento. Mas em certo ponto notamos que não conseguimos realizar tal feito, pois depende do outro lado aceitar o convite. Então muitas vezes ficamos frustrados com o silêncio ou a ausência da pronta resposta. Ficamos surpreendidos que após o tentar e não conseguir, de uma maneira inusitada e não programada por nós, Deus responde ao nosso apelo e dá um sinal que lhe interessa esse relacionamento.

Como o amor é gerado de uma forma não programada, também o é nosso relacionamento com Deus. Não podemos planejar ou acertar. Devemos nos entregar e render, e ele virá, pois sempre vem.