Quando preparava as mensagens, os textos bíblicos começaram a se tornar mais lógicos e me mostravam coisas novas. É como se eles se encaixassem e revelassem mensagens novas nunca ouvidas por mim, pelo menos. Era um conhecimento novo, que me deixava empolgado ao redigir as pregações e tinha resultado maravilhoso ao ministrá-las. A presença de Deus adentra a reunião e torna o momento maravilhoso. Os olhares das pessoas ficavam vidrados na mensagem, como se as palavras entrassem diretamente no coração e alcançassem a alma de uma maneira que uma palestra natural não conseguiria. As pessoas começavam a chorar, a acenar com a cabeça, concordando com o que era dito e batiam palmas de alegria. Era maravilhoso esse momento. Mal podia esperar chegar a casa e me fechar no quarto para compartilhar o que havia acontecido à noite na reunião.
A cada pregação algo totalmente novo ocorria. Então era empolgante a cada vez que era convidado para ministrar ficar ansioso em saber o que seria revelado, qual seria o novo ensinamento, o que aconteceria de novo, qual seria a nova experiência. Sabia que não estava gerando aquilo, mas, sim, que era um personagem naquela história e tinha que aguardar a novidade que surgiria. Novas experiências surgiam todos os dias, de sentir a presença de Deus initerruptamente, até ter o entendimento sobre questões espirituais. Tudo era motivo de alegria, como tivesse sido presenteado com algo que não esperava. Então gerava ânimo e fé para continuar e prosseguir firme no propósito e crente no que viria a seguir.

Em Brasília, iria proferir uma conferência com ministros internacionais, a Conferência Nova Geração, a convite de uma amiga pertencente à igreja organizadora, decidi participar do evento. Lá teria um dia de pré-evento disponível somente para pastores e líderes com a participação de grande ministro. Então eu e minha esposa fomos lá, era uma noite muito agradável, pois o evento seria realizado em um salão de um hotel. Pensei em participarmos e depois sair para jantar e aproveitar a noite, mal sabendo eu o que me esperava naquela reunião.
Era um ambiente espiritual, com muitas pessoas lá reunidas. Uma pastora abriu a reunião fazendo uma oração forte e consistente. O ministério de louvor tocou logo em seguida. Sentia-se uma doce presença de Deus naquele lugar, todos eram tocados pelo que estava acontecendo naquele ambiente.
Em seguida, o ministro da noite, o Pr. Kirk Bennett, procedente dos Estados Unidos se levantou para pregar. Aparentava ter mais de cinquenta anos e usava roupas simples, diferente do terno imponente que se esperava de um pastor. Ele falava com paciência e ternura e sua voz transmitia a experiência e conhecimento que tinha. Ao pegar o microfone, pediu que todos fechassem os olhos e orassem por um tempo. Começou a contar sobre uma experiência que teve com Jesus que se apresentava como um homem com olhos de fogo. Mantínhamos os olhos fechados e orávamos em voz baixa, e uma paz verdadeira tomava aquele lugar. Era muito prazeroso e tranquilo o ambiente. De repente, comecei a ver um rosto que eu identificaria como Jesus e os seus olhos eram de fogo. Parecia coisa da minha imaginação. Acreditei que estava idealizando o que o ministro falava e mantive a oração tranquila. Comecei a ouvir pessoas orando mais alto e barulhos naquele lugar, imaginei que alguns estavam mais exaltados e se manifestavam com gritos, pulos e palmas. Mantive-me com os olhos fechados e vivi aquele momento maravilhoso. De repente alguém se aproxima de mim, era o pastor auxiliar do Pr. Kirk Bennett. Abri levemente os olhos e notei que era ele que estava provocando aquelas manifestações. Fechei novamente os olhos e me concentrei. Ele mirou os dois dedos da sua mão em meu coração, aproximou a sua mão e disse: “Fire” e logo saiu. Mantive-me como estava, mas logo algo muito estranho começou a acontecer em mim. As minhas pernas começaram a se jogar para um lado e para outro, incontrolavelmente. Fui lançado ao chão e minhas mãos começaram a tremer compulsivamente, não dando para controlar o que acontecia. O meu corpo começou a retorcer-se. Não conseguia enxergar direito. Tentava me levantar, mas não conseguia. Não era uma sensação ruim, e sim muito boa. Mas a situação de estar caído no chão era estranha. O que as pessoas estariam pensando de mim? Aquilo me dominava, e não me deixava levantar. Não sei ao certo quanto tempo fiquei naquele estado, sei, porém, que foi um bom tempo. Demorei até conseguir ficar de pé e olhar direito ao que tinha acontecido. Quando olhei para trás, vi um rastro de pessoas caídas no chão tremendo e gemendo. Aquele pastor fez algo que eu nunca tinha presenciado. Era incrível o que tinha acontecido naquela noite. E não terminou ai. O Pr. Kirk pregou maravilhosamente uma mensagem tão simples. Fiquei impressionado como ele tinha intimidade. Era constrangedor como ele falava, parecendo ser um grande amigo. Estava extremamente confortável falar de Deus e comentar coisas tão profundas de uma maneira simples e comum. Sai daquela noite impactado por tudo que tinha vivido.
Dias anteriores a esse evento, tinha ouvido o testemunho do Pr. Randy Clark, comentando que em sua primeira experiência as suas mãos tremiam compulsivamente. Muitos que vivenciaram algo especial no Espírito Santo contaram histórias parecidas, de algo semelhante a uma corrente elétrica. Bill Johnson sentiu por várias noites essa energia passar quando deitava. Com Randy Clark ocorreu após um culto, e com Sergio Escataglinni em um estacionamento, com muitos outros também aconteceu. Após o evento, sai com uma certeza, que aquilo que tinha acontecido naquele lugar, estava em mim. Deveria acreditar em tudo e pela fé, independente do que viria, acreditar que aquele poder estava agora na minha vida.
No primeiro dia após o evento, disse a mim mesmo: “Está em mim”. Não via nada, não sentia nada, mas acreditava que estava em mim. Passaram-se vários dias e eu mantinha viva a crença de que estava mim. Passaram semanas e nada acontecia. Por fim, desanimei e disse: “Não está em mim”. Entristeci-me porque acreditava que aquele poder tinha ficado em mim e desejava novamente viver tudo aquilo.
Certo dia, fui levar a minha esposa e meu filho, ainda bebê, na casa da minha cunhada. Era um dia normal, não havia nada em especial em meu coração. Deixei-os e fui em rumo ao meu serviço. Fui conversando com Deus e dirigindo o carro. Conversava com ele sobre tudo que tinha ocorrido e falava da minha frustação de não ter ficado com aquilo que passou. Conversava agradavelmente com o Senhor quando de repente a fé começou a ser gerada em meu coração. Algo me dizia que não tinha acabado, e eu acreditei que estava em mim e naquele momento eu disse: “Não acabou, está em mim”. No mesmo momento, a presença de Deus entrou naquele carro e o encheu de maneira tal que era impossível negá-lo. Incrivelmente, fiquei cheio da sua presença. Estava certo de que aquilo não era coisa da minha cabeça, aquele profundo sentimento de sua Presença não foi embora. Persistiu. Ao chegar ao trabalho, ele se mantinha em mim e me atrevi a perguntar a uma pessoa se ela sabia o que era a Presença de Deus. Ela acenou com a cabeça confirmando. Peguei em sua mão e logo ela sentiu também. Olhou assustada pra mim. Era tão incompreensível para ela quanto para mim. As pessoas ao meu redor sentiam o que estava acontecendo. Toquei em cada uma e cada uma sentia. Não precisava falar nada, pois era algo transbordante. E certezas vinham em minha mente. Senti que poderia jogar com a mão essa unção. E assim fiz sobre uma pessoa e a metros de distância ela sentiu também. Era incrível! Não sabia o por que de não acabar. Somente entendi que estava acontecendo em mim e queria que todos sentissem também. Sabia que era muito mais que uma sensação, era o poder de Deus, capaz de curar, transformar, abençoar e trazer muitíssimos outros benefícios.
Não conseguia ficar quieto com tudo aquilo que estava o correndo. Era a coisa mais incrível do mundo o que estava acontecendo comigo. Como trabalhar ou pensar em algo estando nessa situação? O meu pensamento estava fixo em Deus, e sua presença tão poderosa não me deixava pensar em outra coisa. De repente, senti que tinha que orar por uma pessoa. Com a convicção que era isso que deveria fazer, chamei-a para um lugar reservado. Impus minha mão sobre sua cabeça e comecei a falar. Era uma oração poderosa. Falava coisas espirituais, com os olhos fechados, porém, vendo coisas incríveis. Falei que Jesus estava lá e que ela era capaz de vê-lo. Vi a silhueta de um homem próximo a mim. Sentia como se aquele poder estivesse indo para aquela pessoa e ela estivesse a cair. No final daquele momento, seus olhos estavam carregados de lágrimas e acreditava que tinha vivido uma experiência única naquele dia. Fiquei maravilhado com tudo que ocorrera. Mal podia esperar o fim do dia para contar a minha esposa o que tinha ocorrido. Busquei-a após o expediente e conversei alegremente sobre o dia. De repente, voltou a unção, e dentro do carro segurei em sua mão e ela sentiu. Toquei em meu filho, que tinha em torno de um ano, e ele tremeu todo e ria sem parar. Era uma cena maravilhosa. Ele sentia também e ria. A unção transmitia essa alegria.
Fomos para casa, pois eu tinha à noite uma reunião para tratar assuntos do projeto de ação social e minha esposa iria para uma reunião de amigos da igreja. Peguei o meu carro e a levei para o local, decidindo entrar um pouco para abraçar os amigos, de repente, a unção volta e, ao tocar nas pessoas, elas começam a sentir. Umas começam a falar em línguas e eu começo a profetizar. Não era nada de a incontrolável, mas eu não fazia questão de controlá-la. Era incrível tudo aquilo e realmente eu deseja viver isso o mais que fosse possível.

Já estava atrasado para a minha reunião quando peguei o meu carro e corri. Dirigia-me para outra cidade satélite de Brasília, o que demandaria um tempinho pra chegar. Ao chegar, abracei meus amigos e comecei a conversar quando veio a sensação de que deveríamos orar. Ao impor as mãos sobre eles, tudo começou novamente, agora em proporção ainda maior. Fiquei tomado por completo e capaz de ver coisas que não eram naturais. Era como se eu estivesse no mundo espiritual entendendo tudo que estava acontecendo lá. À medida que eu via, eu falava o que enxergava e descrevia tudo com uma convicção enorme. Estava sentindo tudo e poderia detalhar o que acontecia naquele lugar. Minhas mãos tocaram aquelas pessoas que estavam lá e eu vi roupas vermelhas adornadas com detalhes dourados, e vi essas roupas cobrindo-os e então eu disse: “Deus está lhe dando roupas de honra”. Naquele momento, a Presença já tinha tomado uma proporção gigantesca, e somente eu conseguia ficar de pé naquele lugar. Olhei para a escada que levava ao quarto do casal. Vi algo como uma porteira escura, que não existia na realidade. Mas eu podia vê-la como se fosse real e tocá-la. Entendi que tinha algo no quarto dele, Subi a escada e senti que tinha uma presença maligna. Não uma, mas várias. Quando entrei, senti a unção crescendo ao ponto de tomar o quarto todo e queimar o que tinha lá. As trevas não aguentariam a Presença de Deus. Voltei para onde estava, e entendi que havia mais demônios naquela casa. Com a boca, dei um comando, e apareceu um anjo com correntes nas mãos e que saiu aprisionando algo que eu não conseguia identificar o que era, mas era maligno. Olhei para o alto, e não via o teto da casa, mas o céu e nele tinha uma bola de fogo que estava chegando semelhantemente a um meteoro que iria colidir naquele lugar. Não tive medo, pois, na verdade, entendi que era algo de bom que vinha naquele momento.
Um casal de pastores chegou para participar da reunião e nem imaginava o que os esperava. Ao entrar, senti a opressão que o acompanhava. Entendi que os dois estavam em meio a lutas espirituais e vivendo uma situação muito difícil. Acredito que o real motivo de estar acontecendo tudo naquele dia era eles. A unção não vem para nos divertir. O poder de Deus tem propósito. E aquela unção tinha o propósito específico de auxiliar aqueles pastores a manter a sua obra. Eles chegaram e logo sentiram que tinha algo diferenciado naquele ambiente, se ajoelharam e se renderam à Presença. Da minha boca saiam profecias e conhecimentos sobre eles, coisas que eu não conseguiria imaginar. Quando olhei no meio da sala, vi um leão (na Bíblia é uma simbologia de Cristo, o leão da Tribo de Judá, entendi que era o próprio Jesus que estava lá usando uma das suas aparências). Ele estava lá a favor daqueles pastores. O leão batia a pata no chão e isso era um indicativo que obras e trabalhos feitos contra eles estavam sendo destruídos. O Rei veio ajudar o seu exército. Passou-se um tempo até as coisas voltarem ao normal. Até todos conseguirem levantar e poderem sentar para conversar. Não dava mais para nos reunir naquela noite, pois estávamos sem palavras para descrever tamanha experiência.
Passei dias lembrando tudo que ocorreu, pois foram experiências marcantes. Queria reviver tudo aquilo o quanto antes. Foi muito emocionante, levando-me a entender que eu tinha recebido de Deus algo realmente único, um talento, um dom do Espírito Santo. Lembrei-me da parábola dos talentos e entendi o que deveria fazer. Jesus explicou que recebemos talentos especiais, que não são nossos, mas de Deus e confiados a nós. Serão nossos se os fizermos multiplicar. Então quando os recebemos, temos que investi-los para multiplicarem, a fim de que quando o rei voltar veja que o usamos bem e nos dê mais ainda. Caso contrário, serão tomados.
Pois a quem tem, mais será dado, e terá em grande quantidade. Mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado. (Mateus 25:29).
Entendi então que a missão era multiplicar, senão acabaria. Como multiplicar algo assim? Dando aos outros o que recebemos! Tinha que ministrar ao máximo de pessoas possível o que eu recebi. Não usar seria semelhante a enterrar, como foi dito na parábola, e assim perderia. Não deveria sentir vergonha, pois tinha uma grande missão a frente: passar para o número de pessoas possíveis o que eu tinha recebido.
O senhor respondeu: “Muito bem, servo bom e fiel! Você foi fiel no pouco; eu o porei sobre o muito. Venha e participe da alegria do seu senhor!” (Mateus 25:23).
Não perdia oportunidade de impor as mãos sobre as pessoas e ministrar, sempre acreditando que as pessoas iriam sentir a unção. Porém, nem todas as vezes acontecia como eu tinha pensado. Não fiquei prisioneiro de possíveis resultados. E nem queira entender se eles estavam sentindo. Ministrava e falava o que me era inspirado dizer. Muitas pessoas não demostravam externamente o que estavam sentindo, ficando quietas. Assim, não daria para julgar o que ocorria no seu interior. No entanto, eu fazia o que tinha de fazer. Acredito fielmente que o real motivo de recebermos um dom é usá-lo em favor do próximo. Não importa que o resultado seja até contrário ao que esperamos. A unção é de Deus e ele a dá a quem você quer. Somente tais pessoas vão sentir e receber o milagre. Cada uma sentirá efeito diferente. Somos somente o carteiro que leva o presente de Deus para aqueles remetentes.
Com o tempo, comecei a notar, que, muitos a quem eu ministrava e sentiam algo, tinham feito orações especiais antes daquele momento. Sempre que eu voltava às pessoas após o ocorrido, vinha uma história de oração pedindo algo diferenciado. Sempre tinha um destinatário daquela unção. E em cada um o resultado era diferente: para um foi a cura na coluna; para outro, paz na família; outro ainda foi uma opressão que desapareceu; e sempre havia alguém a afirmar que a alegria tinha entrado em sua vida. A presença de Deus leva às mais variadas ações e produz diferentes efeitos. Em cada um, ela opera o seu milagre de acordo com a sua necessidade das pessoas. A cada toque segue um milagre, a certeza de que Deus estava ali e trazia resposta às orações de cada um. Eu não podia dizer quando e como aconteceria, contudo, sabia que em qualquer horário do dia ela se apresentava e eu tinha que entender em quem seria.
Certo dia, estava orando e por mim passou um amigo. Ele já estava se distanciando quando senti que deveria chamá-lo. Nunca tinha falado com ele sobre questões espirituais e sabia que não tinha nenhum envolvimento com a igreja. Era um católico não praticante que adorava sair nos finais de semana para tomar sua cerveja e se divertir. Chamei e disse: “Pegue em minha mão”. Ele segurou firme… abriu um sorriso… colocou a mão em seu peito e olhou pra mim… Disse que estava sentindo algo em seu coração, uma sensação boa. Expliquei que era a unção. Ele riu, agradeceu e saiu. Notei que ele era o remetente daquele dia, e fui atrás e perguntei se ele queria mais, e logo acenou confirmando. Fomos para um lugar mais reservado e impus as mãos sobre ele, que começou a tremer e de repente caiu no chão. Ele gemia, tentava ficar de pé e, em certo momento, conseguiu. Suas pernas estavam bambas e ele dizia que sentia uma grande dor no peito. Com respiração forte, tentava se estabilizar e dizia que a sensação era boa. Realmente foi algo assustador o que a unção fez nele. Passaram alguns dias e logo se via a mudança. Ele parou de sair, voltou a frequentar a igreja, arranjou uma namorada e até a sua aparência mudou. Não saberia dizer o que realmente aconteceu com ele, mas sabia que aquele dia registraria uma mudança de vida extrema. Ele nunca mais foi a mesma pessoa. Tornou-se irreconhecível pelos seus amigos de farra do passado.
