A Bíblia apresenta nossa vida como um grande espetáculo. Nós somos o show, e ao nosso redor existe uma grande arquibancada onde seres celestiais assistem a tudo. O Espírito Santo é o nosso treinador. É ele que nos capacita para a grande partida: a vida cristã!
Nossa vida é um grande jogo e não temos tempo para ser espectadores e nem temos poder para ser árbitros. Vivemos intensamente a cada momento dessa história fascinante que é a vida. Não temos controle da partida, e a qualquer momento podemos tomar um gol, sofrer uma falta, ser colocado em outra posição. Podemos estar ganhando, depois podemos estar perdendo, pode ter uma virada de jogo. Não ficamos na arquibancada. Entramos em campo e lutamos para vencer a grande partida.

Muitos acham que o profeta é alguém que sabe de todas as coisas, que sabe da vida dos outros, que tem uma visão elevada e que está além dos outros. O homem movido pelo Espírito Santo não é um espectador da vida. Ele vive como todos, não tem controle dos fatores da sua própria vida e nem tão pouco sobre a vida dos outros. Deus o usa para abençoar e levar os seus recados e dons. Mas esse homem não sabe realmente o que está acontecendo. Quem sabe é o Espírito Santo, pois ele tem o controle da vida, e o homem não, é o jogador da partida. O controle de tudo está nas mãos de Deus. Quem anda com o Espírito Santo deposita a confiança nele, pois é nosso conselheiro (técnico) que nos guiará em toda a nossa vida (partida).
Os que receberam o Santo Espírito não estão nas arquibancadas acompanhando o jogo e tão pouco foram elevados ao estado de técnicos. Continuam na partida e sofrem da subjetividade dos acontecimentos. Podem ficar doentes, ter perdas, sofrer problemas, e nem terá o controle, pois dependerá de Deus para que a sua vida de certo. Nosso técnico é conhecido como “Maravilhoso Conselheiro”. Então sabe o que fazer. Devemos confiar em suas escolhas e trajetórias de sucesso para que tudo fique bem. Não devemos andar com o nariz empinado, achando que somos possuidores do poder sobre tudo o que vai acontecer. O poder pertence a Deus. Somos servos trabalhando com os recursos do Senhor e devemos utilizar da melhor maneira possível tudo que recebemos. Se agirmos segundo a sua vontade, tudo correrá bem. Se não seguirmos suas orientações e vontades, os problemas serão cíclicos, sempre voltando de tempos e tempos.
Por não sermos os técnicos, mas, sim, os jogadores, devemos nos dispor ao nosso líder e pedir para ser usado, para entrar em posições importantes e poder mostrar as nossas virtudes e garra. Devemos sempre orar, pedindo para ser usado por ele, dispondo-nos a fazer sua vontade em todo o tempo. Você pode ser cheio do Espírito Santo, mas se nunca está disponível para ser usado como seu instrumento, que valor tem esse dom sobre você?

Conheci pessoas que achavam que o dom era somente para subir em um altar e pregar em púlpitos, ou seja, só poderia ser usado na data e hora disponível pela pessoa, como se dissesse a Deus: Eu o amo e me entrego a ser usado por você quando quiser, desde que seja no domingo a noite das oito às nove, fora desse horário estou ocupado. É hilário se apresentar a Deus e não desejar ser incomodado por ele durante o dia, alegando ter seu oficio, família e estudo e tudo que programou para encher o dia de afazeres que sufocam o seu ministério a Deus.
Não se pode resumir a ação do Espírito Santo aos dias de reuniões da igreja. Se ele quiser ajudar alguém no meio do expediente, o que se deve fazer? Devemos esquecer protocolos e regras da sociedade para viver o que Deus quer fazer nesse mundo. Se alguém estiver passando por dificuldades ou problemas em sua vida, cabe a nós entregar-nos naquele momento, esquecendo um pouco de nossas atribuições (de que estão cheios os dias da semana não dando espaço para ajudar os outros) e estender a mão a quem ajuda.
Em resposta, disse Jesus: "Um homem descia de Jerusalém para Jericó, quando caiu nas mãos de assaltantes. Estes lhe tiraram as roupas, espancaram-no e se foram, deixando-o quase morto. Aconteceu estar descendo pela mesma estrada um sacerdote. Quando viu o homem, passou pelo outro lado. E assim também um levita; quando chegou ao lugar e o viu, passou pelo outro lado. Mas um samaritano, estando de viagem, chegou onde se encontrava o homem e, quando o viu, teve piedade dele. (Lucas 10:30-33).
Na parábola do bom samaritano, Jesus conta a história de três homens que passam junto a alguém que foi assaltado. Na história é apresentado um sacerdote (ministro do evangelho), um levita (poderia ser entendido como um ministro de louvor) e um samaritano (pecador na visão dos judeus). Na história não é dito que alguém era bom ou ruim. O texto não se prende às características deles ou a seu caráter. Mas se nota que os dois primeiros pareciam apressados ou indiferentes ao que estava ocorrendo a seu redor. Poderia ser falta de tempo ou indiferença aos acontecimentos, pois havia atividades e questões a serem resolvidas. O texto diz que eles estavam a caminho do templo, provavelmente poderiam estar indo à reunião para ministrar sobre Deus. O segundo, o levita, poderia estar na mesma situação. Ambos são indiferentes à situação daquele homem que foi assaltado. Uma das regras em ambientes corporativos é não adentrar a vida do outro, ou seja, respeitar os seus limites e não importunar os colegas com suas opiniões e conceitos. Devem-se respeitar as crenças, individualidades e opiniões de cada um. Isso não é mal. O respeito deve ser um dos alicerces nos relacionamentos. O problema surge quando isso é levado à risca, a ponto de virar uma cadeia em que um não pode ajudar ao próximo. A mesma grade que protege pode aprisionar, impedindo que a ajuda chegue a quem precise. É como se na necessidade quiséssemos ajuda, mas foram colocadas cercas para nos proteger de intrusos e ao mesmo tempo impediu que pessoas bem intencionadas pudessem estender a mão e trazer o socorro. Jesus tem o poder de quebrar cadeias. O homem cheio do Espírito não deve deixar que os conceitos criados por homens impeçam o agir de Deus, que sabe a necessidade latente do que está ao lado. O coração deve estar aberto a ajudar quando o Espírito chamar, independente do local, horário, contexto e regras. Deve-se ter a coragem de se expor, não se apegando ao que os outros vão achar, mas deixar Deus fazer o que deseja fazer. Se Deus quer ajudar, não sejamos os que o impedem de fazer. Pode ser no horário do expediente, na hora do almoço, no trânsito do ônibus, em meio a uma reunião, com colegas de trabalho, com a família. Em qualquer momento se pode sentir o impulso do Espírito Santo conduzindo a fazer ou dizer alguma coisa. Escolha o melhor momento para entregar o recado de Deus. Por isso, aproveite o dia, pois, em qualquer momento ele o vai convocar a agir e algo importante vai acontecer. O controle está na mão de Deus. Ele sabe muito bem o que deve ser feito. Viva o dia apropriadamente com o anseio no coração de que Deus lhe vai mostrar a pessoa certa a ajudar.
