Na Tua Presença: Em qualquer lugar – parte 2

E disse: Na minha angústia clamei ao Senhor, e ele me respondeu; do ventre do inferno gritei, e tu ouviste a minha voz. (Jonas 2:2).

Não existe lugar e que Deus não possa entrar. Ninguém pode escapar do Espírito e fugir da sua Presença. Se for ao mais alto monte, lá ele está e se for à profundeza do mar também está. Não existe lugar para se esconder, e Paulo agora acessava de dentro da prisão. Não é somente em uma reunião que a presença e o Espírito Santo são acessíveis, Eles estão em todo o lugar: na casa, no trabalho, no carro, nas ruas. Não existe limite para a sua ação. A limitação do cristão está mais em sua mente, pois o mal pode prender o corpo, mas não pode prender a alma e o espírito de alguém. Paulo estava preso, mas seu ministério não. Ele persevera na oração pelos santos e de lá escrevia cartas contendo desde repreensões até revelações. Ninguém está totalmente preso. O evangelho encontra asas naqueles que buscam perseverar em sua liberdade. Uma pessoa que trabalha o dia todo ainda sim pode evangelizar. Ele pode escrever mensagens e distribuir em redes sociais, pode orar, enviar mensagens no celular, conversar com os seus colegas de trabalho. A sua profissão não é uma prisão. Lá o evangelho pode alcançar outras pessoas de outras formas, pois o Espírito é livre e é capaz de agir fora dos limites da religião. Ele é o convencimento do pecado, do juízo e da lei. Basta transmiti-lo e ele tocará vidas. A maior prisão é a mente fechada e limitada. Tudo pode ser usado como degrau para o evangelho. Basta entender que ele está vivo em nós.

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O Apóstolo João foi um problema para o império romano, se o prendia, ele evangelizava os soldados e os outros prisioneiros; se o matassem, se tornaria um martim e muitos se converteriam; se o deixassem solto, mais ainda; uma vez o colocaram preso na praça para mais tarde ser enforcado publicamente, mesmo assim ele falava do evangelho para quem passasse pelo local e pessoas paravam para o escutar e se convertiam. Resolveram mandar para a ilha de Patmos, lá sim acreditavam que não teria como reagir, mas lá foi a sua grande obra: o livro do Apocalipse.

Por essa razão, ajoelho-me diante do Pai, do qual recebe o nome toda a família nos céus e na terra. Oro para que, com as suas gloriosas riquezas, ele os fortaleça no íntimo do seu ser com poder, por meio do seu Espírito, para que Cristo habite em seus corações mediante a fé; e oro para que vocês, arraigados e alicerçados em amor, possam, juntamente com todos os santos, compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo que excede todo conhecimento, para que vocês sejam cheios de toda a plenitude de Deus. (Efésios 3:14-19).

O corpo pode ir para a prisão física, mas a alma permanece em liberdade, porque o Espírito Santo lhe dá condições de estar livre onde quiser e quando quiser. Temos acesso livre ao pai e somos um problema para o reino das trevas quando compreendemos que onde estamos, independente dos problemas que enfrentamos, podemos ajoelhar e nos conectar ao Altíssimo. E todas as portas se abrirão e surgirão milhares de possibilidade para vencer. Uma mente fechada é a pior das prisões.

Livro Na Tua Presença Em Teu Espírito, de Moisés Nogueira
Livro Na Tua Presença Em Teu Espírito, de Moisés Nogueira.

Realizo um trabalho social com um grupo de pessoas cristãs. Uma vez por mês separamos cestas básicas doadas por nós mesmos e conhecidos, e levamos em uma região de desfavorecimento social onde muitas famílias passam por dificuldades financeiras. Vamos de casa em casa, tendo um tempo de comunhão com as pessoas e momentos de edificação. O pastor que iniciou o trabalho tem a sua igreja localizada lá. Então conhece as famílias que têm real necessidade de uma visita. É sempre uma alegria quando na manhã de sábado nos reunimos para levar os alimentos e adentrar as casas, podendo conversar diretamente com os necessitados e compartilhar de suas dificuldades. Oramos e profetizamos a transformação do Senhor naquela casa. Mês após mês podemos ver a graça de Deus vindo sobre famílias e lares.

Certo dia, íamos para a casa de um assistido, o Betão, pedreiro por profissão, que há muito tempo tinha virado alcoólatra e andava como mal podendo se sustentar em pé. Ele tinha um cinturão composto de várias garrafinhas de cachaça, sem contar as que estavam escondidas pela casa. Todas as vezes que íamos a sua casa ele mal conseguia falar devido ao seu alto grau de embriaguez. Mensalmente íamos lá e orávamos ministrando a transformação de Deus naquela casa e abençoando a família. Certo dia, ao chegar lá, o vimos sóbrio e assustamos com aquilo. No outro mês, ao visitar novamente, estava sóbrio, já não andava com as garrafinhas. No outro mês o vimos trabalhando e construindo a sua casa. Milagrosamente testemunhamos aquele homem largando o vício e retornando ao seu trabalho. A família se alegrou ao ver a mudança de vida, de um bêbado em um pai de família trabalhador. Membros da nossa equipe choraram ao ver o resultado, pois tinham duvidado que um dia viriam ele assim tão bem. Então íamos fazer a visita em sua casa mais uma vez levando novamente o suprimento para ajudar, quando cruzamos, um homem de aparência nordestina que estava parado em frente à rua que levava à casa do Betão, nos viu carregando uma cesta básica de alimentos e estendeu a mão e disse: “Vocês fazem…”, ele não sabia exatamente o que dizer, por isso completei: “ajuda social?”, ele acenou com a cabeça indicando que era isso que queria dizer. Aproximamos dele, que contou a sua história: veio do Piauí juntamente com a sua mulher e filhas, pois lá estava em grande dificuldade financeira. Juntou o pouco dinheiro que tinha e veio tentar a sorte na cidade. Ao chegar alugou uma pequena casa e foi tentar encontrar trabalho. Sem sucesso, em suas andanças pelas ruas à procura de emprego, um ladrão roubou o pouco dinheiro que tinha e seus documentos. Ele agora estava com o aluguel atrasado e não tinha o que comer. Nós estávamos habituados a ouvir histórias falsas para conseguir ajuda então decidimos constatar a veracidade dos fatos, falamos para ele esperar que nós iriamos fazer a visita programada e depois iriamos falar com ele. Ele ficou esperando no mesmo lugar a nossa volta.

Ao voltar, o colocamos em nosso carro e falamos que iriamos em sua casa para comprovar se essa história era verdadeira mesmo. Fomos por aquelas ruas de chão batido descendo para a região mais pobre daquele lugar. Paramos em frente a uma casa onde a sua esposa esperava à porta, assustada, pois tinha acabado de ocorrer um homicídio naquela rua. Entramos rapidamente na casa e conhecemos a sua família. Ele tinha uma esposa e três lindas filhas e moravam em uma pequena casa alugada juntamente com os seus móveis. Ele abriu a geladeira e tinha somente um saco de ossos que tinha conseguindo em um açougue local. Nós perguntamos o que ele tinha comido. Respondeu dizendo que tinha conseguido um punhado de arroz e fubá com o Betão ofertado para a sua família se alimentar. Perguntamos o que ele tinha comido, ele disse: “Tomei um suco de abacate ontem”. O mais interessante dessa história foi que ele tinha nos abordado procurando emprego, apesar de estar com muita fome, a sua vontade era encontrar um emprego para resolver o seu problema. Ele estava com o aluguel atrasado ao ponto de ser despejado, a família passando fome e ele desempregado, uma situação realmente difícil. Concluímos que realmente ele precisava de uma ajuda. Pegamos uma grande cesta de alimentos e deixamos naquela casa, mas uma pergunta me veio à mente naquele momento e assim eu disse: “Vemos que realmente precisa receber a ajuda, assim o faremos, mas queria te perguntar se você acredita em Deus? Pois veja bem, cruzamos na sua frente carregando alimentos, e agora estamos aqui entregamos algo e acredito que podemos encontrar emprego para você, isso é muita coincidência, você acredita que foi Deus que fez isso?”. Ele disse que todas as noites juntamente com a sua esposa escutavam um CD de louvores que conseguiu e choravam, disse que acredita em Deus e chorava ao ouvir músicas que falavam de alguém que se importa com as pessoas. Pedi então para colocar essa música, pois naquele dia queria chorar um pouco também. Eu e o Pr. Clésio nos acomodamos nas cadeiras e ficamos prontos para escutar. A esposa dele foi ao quarto e colocou a música que eles ouviam, de repente a presença de Deus tomou aquele lugar. Chorávamos compulsivamente, pessoas se ajoelhavam e era incontrolável segurar as lágrimas. Sabíamos que naquele momento Jesus estava lá. Ao sair, peguei o dinheiro que estava em minha carteira dei na mão daquele senhor e disse para comprar uma boa carne e fazer uma boa refeição. O que tínhamos vivido naquele momento era impossível não compreender a intenção de Deus para aquela família. Naquela mesma semana um membro do nosso grupo conseguiu um emprego em uma construção para ele e outro conseguiu uma nova moradia para eles viverem. O que eu entendi desse dia é que tínhamos vivido um autêntico milagre de Deus e que nunca teríamos presenciado isso se tivéssemos negligenciado esse trabalho, pois em qualquer lugar o Espírito se manifestaria e que a graça de Jesus usaria a nossa vida para abençoar aquela família.

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