A vida do apóstolo Paulo divide-se em duas partes: suas viagens missionárias e a prisão. Quando livre, Paulo foi um fundador de igrejas, missionário que viajou por muitos locais pregando o evangelho e angariando discípulos para o reino. Dotado de grande conhecimento, fé e perseverança percorreu imensos territórios instituindo igrejas. Fez o possível para ensinar e amadurecer cada comunidade criada.
Líder indicado por Deus, Paulo não conheceu Jesus em seu tempo na terra. Não foi escolhido como os outros apóstolos para pregar o Evangelho. Seu ingresso no grupo dos apóstolos de Jesus se deu após uma visão acompanhada de uma voz que o chamava para fazer parte da igreja. Apesar de não ter uma aparência de alguém forte e audaz, ele o era por dentro. Foi destemido e avançou com o conhecimento de Deus e a fé, tomando a frente da expansão do evangelho e indo onde nenhum apóstolo tinha chegado.

Muitos viam a Paulo como o grande nome da igreja. Ele era o apóstolo dos gentios, ou seja, dos não judeus e por isso esse compromisso na expansão do evangelho fora de Israel. Seu compromisso era com os outros povos e fez o possível para que eles conhecessem a salvação. Muitos foram os empecilhos que impediram a evolução da causa, e muito foi o sofrimento de Paulo para levar o escândalo da cruz para quem necessitava. Através da vida de Paulo o evangelho se estendeu para fora das fronteiras de Israel e chegou a outras nações. Em cada lugar por onde passava, convertia pessoas, dando início a comunidades cristãs, que foram se expandindo e crescendo com os anos. Paulo viveu para o evangelho. Não teve esposa e nem filhos, agindo exclusivamente pela causa de Cristo. Visto como um dos maiores nomes do cristianismo de todos os tempos, deixou um legado para as novas gerações através do seu conhecimento e fé. Usado amplamente pelo Espírito Santo, viveu e relatou suas experiências em suas cartas registradas na Bíblia.
A partir do livro de Efésios indo até a Filemon, são as Epístolas da Prisão, ou seja, cartas escritas no período que o apóstolo estava preso. Ele foi preso com base em acusações falsas. Esperou julgamento em Roma, ficando impossibilitado de levar pessoalmente o evangelho às comunidades. Encarcerado iniciou uma fase diferente de sua vida. O exercício de seu ministério mudaria dramaticamente.
Portanto, vos peço que não desfaleçais nas minhas tribulações por vós, que são a vossa glória. (Efésios 3:13).

Muitos confiavam em Paulo. Para os povos evangelizados, ele era o líder que estava comandando o exército cristão. Sua fé, unção, intimidade com Deus, conhecimento e perseverança o tornaram modelo a ser seguido. Ele era admirado até pelos outros apóstolos e ainda hoje persevera o seu testemunho de fé como o mais ativo dos cristãos de todos os tempos. Vê-lo preso foi motivo de desespero para muitas pessoas. A igreja de Éfeso sofreu profundamente a prisão do seu amado mestre. Na visão daquelas pessoas, o cristianismo tinha sofrido uma grande derrota com a prisão de Paulo e era motivo de desespero, pois agora sem o seu líder a causa pereceria. O sofrimento do apóstolo na prisão era motivo de tristeza e preocupação para todos, ele estava longe do corpo da igreja e da comunhão.
Aparentemente a igreja de Éfeso entrou em crise por causa do sofrimento de Paulo e por isso ele escreve uma carta de resposta. Em sua carta, deixa claro que está preso pela causa de Cristo e a favor do povo, que foi imposta uma responsabilidade pela graça de Deus de tornar conhecida a sua revelação. Mas ele deixa claro que o povo de Éfeso estava errado com relação a sua concepção de Deus, pois a prisão só limitava o seu corpo e não a sua alma. Naquele lugar fétido e desesperançoso em que ele foi encarcerado injustamente, ele ajoelhava e orava, não a seu favor, mas em favor dos outros, pois a graça de Deus o alcançava lá mesmo na prisão, o Espírito Santo se fazia presente naquele lugar. Aquilo não representava o final do seu ministério, mas apenas uma nova fase, pois naquele lugar o amor de Deus o alcançava. Nada tinha acabado, bastava se ajoelhar e orar e a conexão com Deus era reestabelecida. Todos achavam que o apóstolo tinha acabado, mas mesmo em uma condição tão degradante e diante de um contexto desfavorável, a graça o alcançou novamente. De dentro da prisão, Paulo orava em favor dos outros para que eles pudessem compreender a largura, altura e comprimento do amor de Deus, e que esse não estava limitado às dimensões do templo, mas era tão extensivo que era capaz de alcançá-lo na prisão. O amor de Deus pode se estender a ponto de alcançar prisioneiros em presídios, alcançar viciados em bocas de fumo, doentes em hospitais. Ele pode ir a qualquer lugar. Bastava se ajoelhar e orar e onde estiver ele alcança. Jonas no interior de um peixe grande no fundo do mar lembrou-se de Deus e rogou por sua ajuda e então nas profundezas chegou o socorro ao profeta.
Para onde poderia eu escapar do teu Espírito? Para onde poderia fugir da tua presença? Se eu subir aos céus, lá estás; se eu fizer a minha cama na sepultura, também lá estás. Se eu subir com as asas da alvorada e morar na extremidade do mar, mesmo ali a tua mão direita me guiará e me susterá. (Salmos 139:7-10).
