Na Tua Presença: Bondade, fidelidade e mansidão

A palavra “bom” vem do latim bonus, ou seja, alguém bom é aquele que trás benefícios. Acredito que seja por isso que Jesus falou que somente Deus é bom. Ele exaltava a capacidade de Deus trazer benefícios na vida de todos.

Respondeu-lhe Jesus: "Por que você me chama bom? Ninguém é bom, a não ser um, que é Deus. (Marcos 10:18).

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Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios. (Salmos 103:2) – Almeida Corrigida e Revisada Fiel.

O fruto do Espírito Santo tem a capacidade de gerar benefícios aos outros. Ninguém come o seu próprio fruto, mas antes gera para que os outros tenham acesso e sejam beneficiados com ele. A benção é dada ao próximo e como foi dito a Abraão: “Se tu uma bênção!”. Deus queria abençoar as nações e seria através do Pai da Fé. Então todos seriam beneficiados pela vida de Abraão. A benção não tinha o objetivo final nele. Não era para ele, mas por ele.

Se sofrermos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará; Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo. (2 Timóteo 2:12-13).

Fidelidade vem do latim fidelitas, que tem significado ligado à fé e à adesão. Fidel é uma pessoa comprometida com algo ou alguém, alguém que aderiu a aliança, que não vai desistir, virar as costas ou abandonar. Fidelidade é característica de Deus.

Os valores transmitidos pelos conceitos se perderam com o tempo. Assim foi com a palavra aliança, que significa algo duradouro, forte e inquebrável, mas seu valor se perdeu e se tornou apenas um símbolo de um casamento que pode findar quando se quiser. O casamento deveria ter o significado de algo inquebrável, porém, muitos que se casam não conhecem e nem respeitam tal conceito. Muitos querem casamento sem compromisso, ou seja, não tendo obrigações do seu lado para com o outro. E relacionamento sem compromisso é ambiente de infidelidade, e onde é assim, não existe amor. O amor e amabilidade, a fé, a bondade e a fidelidade andam juntas, onde uma está a outra se apresenta também. No amor existe a fidelidade que é o compromisso, gerando benefícios pela bondade, sendo atributo da amabilidade.

Livro Na Tua Presença Em Teu Espírito, de Moisés Nogueira
Livro Na Tua Presença Em Teu Espírito, de Moisés Nogueira.

A palavra mansidão tem sua origem na palavra latina mansuetudo, que significa “acostumado à mão”, de manus, “mão”. Poderia ser usado em referência aos animais domesticados, porque eles são dóceis e capazes de viver junto com o dono.

Certo dia, Jesus é abordado por uma mulher cananeia, de origem sírio-fenícia. Ela tem uma filha endemoniada e procura ajuda para resolver o seu problema. Jesus está com seus discípulos e responde que ele veio somente para casa de Israel. Disse a verdade, pois sua mensagem era somente para os israelitas, e não poderia fazer nada a favor daquela mulher. A Bíblia relata que ele não foi nada simpático com ela, ao ponto de não lhe “dar palavra”, ou seja, ignorou aquela mulher e o seu problema. O que chama a atenção nela é que, mesmo diante de uma negativa e desconsideração, ela não se importa e continua a segui-lo e pedir ajuda. Por mais de uma vez, Jesus deixa claro que não iria ajudá-la. Os discípulos impedem que ela se aproxime dele. Mas chega um momento em que ela se prostra diante dele em sinal de adoração.

Ele lhe disse: "Deixe que primeiro os filhos comam até se fartar; pois não é correto tirar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos." (Marcos 7:27).

Diante de uma atitude de adoração, Jesus muda as suas palavras e a compara a um cachorrinho. Existe dois tipos de palavras usadas na Bíblia para cachorros, um é Kúon, para um tipo de animal selvagem, visto como impuro, e existe também a palavra Kunárion para aquele domesticado. Jesus não a chama de Kúon, mas de Kunárion, ou seja, um animal domesticado, capaz de viver junto a ele, alguém manso, aquele em que é possível pôr a mão.

Ela respondeu: "Sim, Senhor, mas até os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem das migalhas das crianças". Então ele lhe disse: "Por causa desta resposta, você pode ir; o demônio já saiu da sua filha". Ela foi para casa e encontrou sua filha deitada na cama, e o demônio já a tinha deixado. (Marcos 7:28-30).

Essa mulher teve uma capacidade de se rebaixar diante de Deus e aceitar ser afrontada por Ele. Deus é o soberano e tem toda a autoridade. Ela aceitou a condição de ser inferior a Ele e se rebaixar diante de uma necessidade que Ele poderia resolver. Sua atitude demonstrava o reconhecimento do poder e autoridade de Deus. Ela o colocou em seu devido lugar, o lugar de um Deus. Se apresentou como alguém domesticada e capaz de conviver com o Senhor. O povo hebreu no tempo de Moisés foi chamado de povo de dura servis. A cerviz é a parte da coluna na área do pescoço. A comparação aponta para um povo com dificuldade de se rebaixar, de se dobrar que não queria e não aguentava ser provado. Logo se desviando em muitos momentos, eles viram muitos milagres e sinais, mas diante de um contexto gerado para provação, eles se desesperavam e não buscavam a Deus. Preferiam questionar e desejar voltar atrás. A fé pode se apresentar como uma mansidão diante do dono do universo, que é capaz de resolver qualquer problema. Deve-se entregar o domínio da própria vida a ele e confiar.

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