Na Tua Presença: A cura divina

Houve um tempo da minha vida em que comecei a acreditar muito em curas milagrosas. Na verdade, nunca tinha presenciado uma de verdade; Mas, no fundo do coração, acreditava que elas existiam, pois sempre via na televisão testemunhos de curas das mais diversas, sem, contudo, ter visto uma acontecer perto de mim.

Em minha pequena igreja, comecei a ministrar cura. Entendi que se eu quisesse ver algo assim acontecendo deveria começar a falar dela. Muitas vezes, orava por cura e nada acontecia. Sempre era frustrante, e nem ousava perguntar se alguém tinha sido curado, pois estava certo que não.

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Um dia, meu pastor ministrou uma palavra sobre cura. Ele sabia que eu estava em busca disso. Na oração final, ele passou o microfone para mim e deixou que eu fizesse a oração. Ordenei que as enfermidades saíssem daquele lugar, falando com toda a fé que eu tinha. Novamente acreditava que poderia ter uma resposta diferente. No final do culto, uma pessoa se levanta e diz que foi curada. Todos se alegraram. Perguntei do que ela tinha sido curada e ela respondeu: “Estava com uma dor na garganta e agora não estou mais”. Para a maioria das pessoas que estavam lá, foi frustrante ouvir tal testemunho. Ora, uma garganta inflamada! Às vezes, nem estava assim tão inflamada. Era impressão dela. Só tinha parado de doer um pouco. O que ficou no ar, no final, é que tinha sido um engano daquela pessoa. Não poderia ter ocorrido uma cura milagrosa? Não me deixei abalar. Fui acreditando que realmente aquela pessoa tinha sido curada. Acreditei fielmente que Jesus tinha passado naquele lugar e ministrado a cura. Não importava o tamanho do milagre, e sim o ocorrido. E eu acreditava que foi o Senhor quem realizou.

A fé nasce em contextos de descrença, quando a situação não está a favor e não existem fatos para facilitar a crença. É uma decisão de fé querer acreditar e parecer louco. Mas, acreditando nos pequeninos sinais, tem-se a convicção de que algo aconteceu fora do comum. E decide-se perseverar mesmo tudo dizendo não.

Todo milagre é questionável, e tem que ser, pois se não tiver espaço para a dúvida, não terá espaço para a esperança. A fé é gerada em meio às dúvidas e questionamentos. Ela é alicerçada no coração, tendo fundamentos racionais no poder do Deus e na sua autoridade.

Porque vivemos por fé, e não pelo que vemos. (2 Coríntios 5:7).

Meu coração se encheu de fé ante aquele sinal de Deus. O que para muitos era questionável, para mim era um sinal de que Deus agira. Uma pequena semente foi lançada, e eu poderia regá-la e acreditar que era o Senhor agindo em nosso meio.

Fui convidado para pregar em outra igreja. Decidi me entregar e passar um longo período em oração no dia que antecedesse a ministração. Orei até as três horas da manhã. Nunca tinha ficado tanto tempo em oração. Lembrei-me de uma mensagem de Pr. Benny Him que dizia ter uma vez ficado em silêncio por 40 minutos durante uma ministração. Ele e toda a igreja ficaram em silêncio, e somente depois desse longo período Deus passou promovendo milagres. Decidi fazer a mesma coisa, ajoelhando-me na sala da minha casa nesse período de oração, sem música e sem palavras, permaneci durante quarenta longos minutos paralisado. Era estranho, porque orando e falando já demora muito, permanecer tanto tempo de joelhos em pleno silêncio em uma atitude de espera de Deus, era algo totalmente novo para mim. Mantive-me naquele estado, em minha mente algo me dizia para levantar e deixar aquilo, mas meu coração me dizia que se eu tinha começado deveria ir até o fim. Coloquei o meu relógio de pulso no chão em um lugar que eu conseguisse ver ao virar o olho para o lado. Estava decidido que não esperaria nem um minuto a mais do que aquele tempo. Ao término do período, me levantei e senti como se uma brisa passasse por mim, era a presença de Deus. Foi semelhante a um sopro, demorando segundos apenas. Mas tive a certeza que era Ele. Levantei-me e fui dormir.

Ao acordar, decidi fazer um jejum completo até o momento da pregação. Só comeria após o término da reunião. Ministrei com fé naquela noite, parecia uma noite como as outras, mas a Presença de Deus era sentida, e as pessoas ouviam atentamente a mensagem. Chegando ao final, a fé tomou conta de meu coração, com a certeza de que iria ministrar cura. Sentia algo saindo de mim, o que me fez lembrar de Jesus quando disse que uma virtude saiu Dele. Eu lançava as palavras de cura e sentia que pessoas estavam sendo curadas naquele lugar. Era inexplicável a certeza de que ocorriam milagres, mesmo que as pessoas não se manifestassem. A Presença de Deus tomou conta daquele lugar. Era notório, perceptível o que estava ocorrendo naquela noite. Quase terminando, uma nova certeza veio em meu coração. Nunca tinha vivido isso. Eu abri a boca e disse: “Pensem em algum parente agora, pois Deus vai visitá-lo e curar”. Falei segundo a orientação do Espírito Santo. Lancei essa palavra, levando certo tempo até a presença diminuir e a reunião voltar ao normal. Sentia que algo realmente importante tinha acontecido naquele lugar. Não poderia provar, mas em meu coração tinha a convicção de que Deus realmente tinha agido.

Acabando a reunião, as pessoas vieram conversar comigo e dizer como a reunião tinha sido boa, que tinham sentido a presença de Deus. Uma pessoa veio falar comigo e perguntou: “Você viu o que aconteceu?”. Disse-lhe que eu não sabia, e ela continuou: “Um menino do louvor saiu correndo e foi para o banheiro, ele expeliu um caroço que estava na garganta!” Fiquei impressionado, pois não se tratava de garganta inflamada, mas de um caroço que ele tinha a um bom tempo. Agora, pelo poder de Deus estava expelindo pela boca. Sai feliz sabendo que Deus tinha agido naquela noite.

Estava com mais fé, pois ocorrera um milagre maior. Na outra semana, voltaria a ministrar em minha igreja, e novamente ministraria cura. Meu tema novamente foi o mesmo e com toda fé falei sobre as curas de Jesus e, no final, voltei a lançar a palavra com o foco nos parentes: “Se concentrem em algum parente, pois Deus vai passar lá nele curando nesse momento!” nenhum sinal ocorreu naquela noite, mas sai com a convicção de que Deus estava operando os seus milagres.

Naquela mesma semana, uma amiga da minha igreja veio falar comigo. Disse que estava presente naquela última noite e acreditou que aquela palavra lançada de cura atingiu uma sua parente. Sua sogra tinha descoberto que estava com enfisema pulmonar, e a família estava chocada com a enfermidade. Ela acreditou tanto naquela noite que, ao final da reunião, ligou para a sogra e disse que ela tinha sido curada e deveria procurar o médico no outro dia. Assim ela fez, e, para a surpresa da família, seu pulmão estava completamente limpo, sem nenhum vestígio daquela doença. Como aquilo me deixou com fé! O que começou com uma pequena cura terminou com um grande.

Livro Na Tua Presença Em Teu Espírito, de Moisés Nogueira
Livro Na Tua Presença Em Teu Espírito, de Moisés Nogueira.

Meses depois, em um retiro, uma mulher me procura e veio me agradecer. Não a reconhecia. Ela disse que tinha participado da reunião daquela noite em que o rapaz expelira um caroço. Ela estava lá. Ela foi à frente, atendendo a meu pedido, quando a chamei para orar. Proclamei, então, que Deus iria curar uma pessoa, e ela falou: “Essa palavra é para o meu irmão!”. Ela acreditou que Deus iria curá-lo naquela noite. Ela saiu apressada da reunião, confiante no milagre de Deus. Quando chegou em casa, recebeu uma ligação comunicando que o seu irmão tinha fugido da casa de tratamento para viciados químicos. Ele era dependente químico fazia muito tempo e estava internado para se tratar. Naquela noite, ele tinha acabado de fugir de lá.

Ela se desesperou, pois tinha saído de uma reunião com a convicção deque Deus o curaria e agora ele estava desaparecido. Pensou em ligar pra mim, mas decidiu confiar em Deus e aguardar. Seu irmão passou três dias desaparecido. Depois voltou para a casa. Estava diferente. Já não usava mais nenhum tipo de droga. Libertara-se! Quando a encontrei novamente, fazia mais de seis meses do ocorrido. O rapaz já estava trabalhando e tinha voltado para a sua família. Parecia que nunca tinha usado drogas na vida. Para Deus, não existem coisas impossíveis. Até um vício pode ser curado.

Certa noite, após a reunião da minha comunidade, uma obreira veio me procurar, pois uma parente sua estava com câncer e queria fazer uma campanha de oração em sua casa. Prontamente aceitei a proposta. O combinado seria sete dias de visitas realizadas nas tardes de sábado consecutivamente. Nós daríamos uma palavra e oraríamos pela sua cura.

No primeiro dia, preparei-me e junto com um pequeno número de irmãos fomos à casa da pessoa enferma. Mas nos assustamos ao ver a aparência da moça. Ainda jovem, não aparentava doença. No entanto, fomos informados do que estava acontecendo. Era portadora de leucemia, câncer na tireoide e também em certa parte da região abdominal. Nunca descobri ao certo. Era uma situação difícil e evitei ficar perguntando sobre o assunto.

Fiz uma ministração simples e oramos. Ela ofereceu um lanche. Conversamos um pouco e logo saímos. Assim repetimos na segunda reunião, fazendo o que tínhamos combinado. Era o possível a ser feito. Naquela mesma noite, ao orar, Deus me questionou: “Você realmente acredita que aquela pessoa vai ser curada assim?”, “Não!” respondi em minha mente, “Você é capaz de compreender que ela pode realmente morrer?”, entendi que eu não estava levando a sério como deveria. Agia como em um procedimento cotidiano, tanto faria pra mim que ela fosse curada ou não. Deus me chamava a atenção ao que estava acontecendo. Eu deveria mudar a maneira de agir.

Liguei para algumas pessoas que estavam participando dessa campanha e compartilhei o que Deus tinha falado. Convoquei para um jejum e oração pela causa daquela moça, que tinha uma real chance de morte. Passei a semana a orar e jejuar em prol dela, e para a terceira reunião consegui um ministro de louvor para tocar e dessa vez a palavra seria mais profunda. No final, oraríamos com toda fé para ver o milagre de Deus naquela casa. Agiríamos como verdadeiros ministros de Deus levando a fé e a possibilidade de um milagre naquela situação.

Após essa última reunião, fiquei muito feliz pela nossa conduta e mantive o propósito de oração e jejum. No sábado seguinte, me preparei para ministrar e fui à casa dos amigos que estavam participando da campanha para nos levarem ao nosso destino. Seria um dia totalmente diferente dos outros.

Ao chegar à casa da paciente, notei que havia muito mais pessoas. Ela convidara seus melhores amigos. Havia um ar de alegria no ambiente. No início da reunião, pedi para contar a novidade, e assim ela falou: Nesta semana fui realizar os exames de tireoide como rotineiramente fazia. Mas algo aconteceu diferente. Após realizar o ultrassom do órgão, levei o resultado ao médico, que olhou pasmo para exame. Ele pediu para refazer o exame, e assim ela o fez. Ele ficou olhando os exames e não conseguia acreditar. Pediu outro exame de sangue e, novamente, ao receber o resultado, ficou sem palavras. Ele disse que não sabia o que estava acontecendo, mas todos os nódulos haviam desaparecido. Ela pegou o exame anterior e o exame atual e diante de todos nós mostrou os resultados diferentes. No anterior, o ultrassom mostrava 12 marcas coloridas representando os nódulos de câncer; no atual, não nenhum. De forma milagrosa, todos desapareceram. Comemoramos naquela tarde como nunca. Cantamos louvores a Deus e nos alegramos com aquela notícia. O Senhor tinha curado o câncer de tireoide daquela moça. Presenciamos um autêntico milagre de Deus.

Ela continuou o testemunho dizendo que o médico constatou que o sangue dela estava completamente limpo, e que ela poderia fazer o transplante de medula para resolver o seu caso de leucemia. Ficamos sabendo naquele dia que a sua melhor amiga era doadora compatível com ela. Deus resolvia dois problemas com um só milagre.

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