Na Tua Presença: Viagem à Argentina

Sempre tive muita vontade de ir a um grande avivamento de Deus, a um lugar em que existisse manifestações do Senhor. Desejava frequentar a igreja de Benny Him, ir a Bethel do Pr. Bill Johnson e a tantas outras comunidades que existem pelo mundo.

Em um final de semana, ouvi alguém dizer que estava querendo voltar a Argentina, para ir novamente à igreja do Dr. Claudio Freidzon, a igreja Rey de Reys. Eu nunca tinha viajado para fora do Brasil. Achei fantástico, mas ao mesmo tempo muito distante pra mim.

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Dias depois, ao lembrar da conversa, entrei na internet e fui pesquisar. E descobri que iria acontecer um evento daqui a alguns meses. Despertou o interesse de estar lá. Sabia que tinha de ir, mas não era viável. Mas quando o Espírito Santo nos convoca, como dizer não a essa voz? Ele me instruiu de como fazer e com quem deveria ir. Convidei outros pastores da nossa comunidade que de pronto aceitaram. Pesquisei tudo que era necessário: hotel, passagens, como chegar ao local e planejei nos mínimos detalhes.

Sou acostumado a viajar. Então deveria pensar em tudo para aproveitar ao máximo a estadia naquele lugar. Meu pensamento estava fixo no que iria acontecer naquela igreja. Não se tratava de uma viagem turística. Estava indo somente para viver aquele momento tão especial de experiência com Deus, meu único alvo. Conhecer Buenos Aires, apesar de ser uma cidade encantadora, não seria o mais importante. Iria aproveitar ao máximo aquele momento.

O evento duraria quatro dias, sendo o último em um estádio de futebol na região. Sabia que tinha que chegar cedo, pois eram grandes as filas para entrar e era muito difícil de encontrar lugares. Chegamos um dia antes, e logo cedo nos arrumamos para ir. Caminhamos para a igreja, à distância de algumas quadras do hotel. Ao chegar, podemos ver a movimentação e nos identificamos. Sentamos em um bom lugar e aguardamos a primeira ministração do dia. Eu estava cheio de expectativas, não sabia muito bem o que me aguardava. Mas as notícias do que Deus fazia naquele lugar me enchiam de ansiedade e curiosidade para saber o que ele estava preparando para aqueles dias.

Era incrível. Um dia estava cogitando ir conhecer, quando menos se espera estava lá sentado em meio a um foco de avivamento na terra. Como não ficar entusiasmado com esse momento! Notei que não era somente eu, mas todos que foram tinham grandes expectativas. As pessoas traziam as bandeiras de seus países e aproveitavam para tirar fotos: havia representantes da Inglaterra, Peru, Colômbia, Argentina e muitos brasileiros. Era muito especial, todos estavam carregados de alegria e desejavam ser tocados por Deus.

A primeira reunião do dia deu início. Fomos saudados com muita alegria e todos gritavam e batiam palmas. Era muito animador a sensação de estar lá. Foi iniciada a primeira ministração do louvor. Quando dei por mim estava chorando, não sabendo por que estava assim, o ministro só estava na introdução da música. Mas, incontrolável, eu não conseguia parar de lacrimejar. Dava pra ficar até desconcertado por estar assim tão cedo. Achei que poderia ser a emoção do momento. No entanto, quando olhei para o lado e vi todos chorando, entendi que era uma unção especial que tomou o ambiente. Não era tristeza, nem dor, e sim um alivio que sentíamos de estarmos tão conectados pela presença de Deus.

O ministério de louvor continuou, e as músicas começaram a ser mais agitadas, e, para minha surpresa, muitas pessoas foram para a frente dançar. Havia uma leveza no ambiente, uma alegria que não se poderia explicar. As pessoas pulavam e festejavam. Nunca tinha presenciado algo assim. O dia passou voando. Mal tinha tempo para sair. Apenas o necessário para almoçar e voltar rapidamente. Quatro reuniões consumiam todo o dia. Foram muito extensas, embora parecessem muito rápidas. Ninguém ficava cansado ou exausto. Dava vontade de ficar o dia todo. Saímos depois da meia noite e não conseguíamos entender como tinha passado tão rapidamente. Não sentíamos vontade de comer e, se dependesse de nós, poderíamos entrar noite a fora naquela igreja.

Todos que subiram ao altar fizeram ministrações maravilhosas. Cada palavra mais profunda que a outra, e no final do dia o Dr. Claudio Freidzon fechou com chave de ouro. Quando entrou, o ambiente foi tomado por uma presença de Deus. Era perceptível o que havia na vida dele. Era gigantesca a unção que carregava. Ele ministrou magnificamente, transmitiu vida e alegria, foram inspiradoras as suas palavras, impossível não ser tocado por algo assim.

No final, ele convidou para orar e, para a minha surpresa, as pessoas saíram em disparada em rumo ao altar. Os diáconos da igreja passaram à frente e fizeram um cinturão com as mãos dadas para evitar que as pessoas subissem no altar. Nunca tinha presenciado isso. As pessoas disputavam espaço e se apertavam uma contra as outras e estendiam suas mãos para tocar o pastor. Eu não estava preparado para aquilo e então, quando cheguei já estava muito atrás. Acredito que é o sonho de todo pastor é ter pessoas brigando para receberem uma oração dele. Nesse primeiro dia, nem cheguei perto e sai feliz por estar lá, mas triste por não ter recebido a oração do Dr. Claudio. Não fiquei decepcionado, pois sabia que ainda tinha três dias para receber um toque especial de Deus.

No segundo dia, me apressei a levantar, tomei o meu banho, vesti a melhor roupa que eu tinha levado. Quando os outros pastores olharam pra mim, avisei: “Hoje eu vou subir lá encima e vou receber a oração do Dr. Claudio”. Acho que ninguém botou muita fé em mim. Tomei o meu café da manhã antes de todos e sai apressado. Sabia que eu precisaria tomar um bom lugar, uma posição estratégica. Se eu quisesse realmente receber a oração dele, deveria estar em um lugar que facilitasse a corrida e chegasse rapidamente no altar. Fiquei um pouco frustrado ao chegar e notar que muitos tinham madrugado lá e pego as melhores cadeiras, as mais próximas. Mas não tinha problema, eu estava determinado a ser abençoado e assim seria.

Passei o dia orando e me preparando para viver esse momento tão especial. Deus sabia que eu estava com uma grande expectativa, e ele iria preparar para que tudo valesse a pena. Então chegou o grande momento, a última ministração da noite. Dr. Claudio chegou carregado de poder. Era muito forte, estava vibrante, de repente corre para um canto da igreja, sobe num banco e pede para as pessoas levantarem as mãos. Todos obedecem e com um movimento de suas mãos, um terço da igreja cai. Era como se uma onda tivesse passado. Não sabia se gravava com o celular ou se mantinha as mãos erguidas para vivenciar aquele mover de Deus. Foi tudo muito rápido, sem dar tempo para pensar. Era muito forte a unção que havia naquele lugar e em tudo que estava acontecendo ali.

Todos ficaram encantados pelo que tinha ocorrido e sabíamos que era somente o começo da noite. Ele terminou o momento inicial e começou a pregar uma mensagem baseada na Bíblia. Todos ficavam atentos, nem piscavam os olhos. Eram penetrantes as suas palavras. Quando a mensagem caminhava para o fim, comecei a me posicionar e me preparar para correr. A qualquer momento ele indicaria o término da palavra. Então sabia que era o meu momento. Como um atleta na marca de largada, os meus pés se flexionaram. Parecia que eu iria correr os cem metros rasos. Estava somente esperando o sinal e esse não demorou. A minha disputa começou quando ele disse: “Vamos orar”. Sai correndo em meio da multidão.

Cena inusitada: todos correndo em direção ao altar. Só parei quando estava na frente da escada que levava ao púlpito. Por mais incrível que parecesse, fui muito bem na disputa e agora estava entre os primeiros na escadaria principal. Sabia que estava muito bem posicionado e quando ele liberasse seria um dos primeiros a subir. Nada poderia dar errado naquela noite. O pastor começou a orar, e a presença de Deus estava muito forte. Embaixo algumas pessoas começam a cair, e a atmosfera de Deus começou a crescer a cada minuto.

Todos nós começamos a orar, e me entreguei naquele momento. Era muito agradável. Após certo tempo, ele fez um sinal aos diáconos para liberar as pessoas. Aos poucos, elas começaram a subir até o altar. Não havia sido explicado que não era para subir pela escadaria principal onde eu estava, e sim pela escadinha que tinha na lateral por onde ele mesmo subia. Só poderia subir por lá. Coincidentemente era o lado que eu estava na noite passada e onde estavam os meus amigos pastores. Vi um a um subindo naquele altar e eu preso no meio daquela multidão bem no centro da nave da igreja. Era desconfortante vê-los subir e receber a oração, caírem e chorarem, e terem os mais diversos tipos de sensações. Fiquei aprisionado, sem conseguir ir nem para frente e nem para trás. As pessoas que subiam até o altar desciam quase na minha frente. Eu não tinha condição de sair e ir para o lado onde poderia subia. Estava desconfortável, e dava vontade de sair. Sabia, no entanto, que tinha que perseverar, as pessoas se espremiam e eu estava lá no meio sem saber o que fazer.

Decidi orar: “Jesus eu sei que sabes que eu estou aqui, sei que está me vendo e está me testando, não vou sair daqui, sei que a minha vez vai chegar!” Aguentei firme, pois não me custava esperar até o fim. Decidi não me estressar e aproveitar, alegrando-me com tudo que estava acontecendo naquele lugar. Depois de um tempo, vi o Dr. Claudio chamando um diácono. Ele ordenava para subir no altar os pastores que estavam lá no meio de onde eu estava. Alegrei-me, fiz um sinal com as mãos e gritei que era pastor. Eles seguraram em minhas mãos e me puxaram. Senti-me como um campeão. Sabia que Jesus estava por trás de tudo aquilo.

Livro Na Tua Presença Em Teu Espírito, de Moisés Nogueira
Livro Na Tua Presença Em Teu Espírito, de Moisés Nogueira.

Posicionaram-me na frente do Dr. Claudio e somente me lembro dele vindo em minha direção, com seus olhos brilhantes e um sorriso estampado no rosto. Ele olhou em meus olhos e disse: “É muito poder!”. Bateu com as mãos em meu peito e saiu logo em seguida para ir a outra pessoa orar. Foi tudo muito rápido.

Senti o meu corpo se enfraquecendo, mas firmei meus pés para não cair. Queria que ele voltasse e tocasse novamente. Foi muito rápido. Não sabia que somente aquele toque já era o suficiente. Rapidamente os diáconos me pegaram pelos braços e me levaram com muito cuidado para baixo na nave da igreja. Parecia que tudo tinha ficado em câmera lenta. Era uma sensação incrível, indescritível o que vivia ali.

Quando cheguei em baixo, estava um dos meus amigos pastores que me esperava. Quando eu o abracei, ele caiu, e eu me desequilibrei. Tentei me apoiar em outras pessoas, mas elas iam caindo ao tocá-las. Foi incrível aquilo, estava em mim! Olhei de longe e vi o cunhado do Dr. Claudio orando na frente do altar, corri para perto dele, que nem chegou a pegar em mim, com a aproximação de suas mãos sobre o meu corpo, fui arremessado longe e comecei a tremer totalmente. Cai no chão e meu corpo não parava de tremer, parecendo estar eletrocutado. O fogo de Deus estava em mim, semelhantemente a minha primeira experiência junto ao pastor auxiliar do Pr. Kirk Bennett. Agora ocorria em maior proporção. Eu tremia incontrolavelmente. Por mais estranho que parecesse, era uma sensação maravilhosa. Que noite maravilhosa! A noite continuava e nós fomos um pouco para trás e ficamos observando o que estava acontecendo. Nunca tinha visto algo assim, começamos a ver pessoas saindo carregadas pelos braços, e o poder continuava naquele lugar. De repente, eu sinto novamente aquilo crescendo dentro de mim. Toco nos pastores que estão junto a mim e tudo começa novamente. Parecíamos estar tendo um ataque. Era incontrolável. Aguardamos até o final da reunião. Vimos o pastor descer por uma porta lateral e sair do recinto. Decidimos, então, ir embora. Aquele dia já tinha dado muito.

Ao sair da igreja, notamos que já era pra lá de meia noite e não tínhamos comido nada. Do lado de fora, parecia uma cena de filme. Víamos pessoas caídas para todo lado, e caminhávamos com dificuldade. O fogo ainda estava em nós. Tínhamos que parar e nos escorar nas paredes, senão poderíamos cair no chão. Torcemos para nenhum policial passar, porque parecia uma cena de bêbados atravessando a rua. Por mais constrangedor que parecesse, era incrível estar sentindo aquilo. Queria que nunca acabasse!

Foram dias incríveis, com muita unção e poder. Cada dia mais especial do que o outro. O último dia seria realizado em um estádio de futebol daquela parte da cidade. Ao chegarmos à igreja, havia vários ônibus esperando para nos levar até o local do evento. Estávamos no meio da tarde. Achei que chegaríamos muito cedo. Mas se havia transporte para lá, deveríamos aproveitar. Partimos sem problemas, tomando a condução.

Ao chegar perto do local do evento, começamos a ver a movimentação. Já havia muita gente esperando. O ônibus nos levou para bem perto do local e fomos conduzidos para dentro do estádio. Havia uma seção com cadeiras separadas para aqueles que estavam participando do evento na igreja Rey de Reyes. Assistimos aos últimos preparativos para a grande noite.

No palco, as equipes de técnicos faziam os acertos finais. Tudo era grandioso: um palco enorme, digno de grandes eventos e um estádio cheio de cadeiras à espera de um grande público. A noite veio chegando com a multidão que ia tomando todos os lugares. Achei um grande ato de ousadia promover um evento assim. Mas, para a nossa surpresa, o estádio encheu rapidamente e logo não se via espaço vazio nem nas cadeiras que estavam no gramado e nem na arquibancada. Havia uma multidão que estava à espera de um mover de Deus naquela bela noite em Buenos Aires.

Assim foi aquele dia, com muito louvor e uma palavra preciosa ministrada pelo Dr. Claudio. A presença de Deus adentrou o estádio e era fácil de entender naquele momento porque tantas pessoas estavam lá. Todos queriam sentir Deus naquela noite e ele veio. Era uma sensação incrível, surpreendente o que estava acontecendo. Em certo momento da reunião, ela foi interrompida pela esposa do pastor, a pastora Betty Freidzon que, com toda a simpatia e amor, pegou o microfone e disse que Deus estava curando uma pessoa em estado vegetativo naquela noite. A reunião continuou. Perto do final, vimos uma pessoa saindo das arquibancadas ao fundo e atravessar todo o campo e ir em direção ao palco montado. Ela conversou com as pessoas da produção. Acompanhamos tudo que estava acontecendo. Essa senhora subiu no palco e conversou com o casal de pastores Freidzon. Logo se via um sorriso na feição deles. A senhora dizia que tinha tido uma criança que nasceu com morte cerebral. Ela estava no hospital e a mãe decidiu ir àquela reunião à noite no estádio. Após a palavra de cura da esposa do pastor, ela recebeu uma ligação do hospital. Sua filha estava se movimentando. Era um grande milagre. Todos festejaram… Não deu pra ouvir toda a história. Só sabíamos que a criança estava bem. Nada como fechar essas noites com um milagre desses. Então voltamos para o Brasil, com muitas histórias para contar e carregados de uma unção tremendamente maravilhosa. Deus tinha nos abençoado e mal poderíamos esperar para dar aos outros o que tínhamos recebido.

O resultado de tudo que tinha acontecido naqueles dias seria notado semanas depois. Pessoas de vários locais do mundo reunidas em um foco de avivamento permitiu uma derrama de unção proporcional à necessidade de cada um. Voltamos para os nossos países, carregando esse óleo de poder que recebemos lá. A unção recebida geraria milagres, curas, transformações, libertações e todo tipo de ação do Espírito Santo. Acredito que o Dr. Claudio Freidzon sabe dessa lógica. A unção é derramada de acordo com a necessidade. Se ele não promovesse esses encontros e se resguardasse a fazer eventos somente para que Deus o usasse, nunca teria ocorrido algo assim. Mas já que ele decidiu multiplicar e dar de graça o que recebeu pela graça, então, Deus dá muito mais pra ele.

A quem tem será dado, e este terá em grande quantidade. De quem não tem, até o que tem lhe será tirado. (Mateus 13:12).

O que vivemos lá não foram somente sensações e alegrias. Não foram momentos de loucura coletiva que terminariam ali. O que estava acontecendo era o poder de Deus dando capacidade e força aos homens e mulheres para levarem ás suas regiões. A finalidade não era nós mesmos, mas nossas comunidades. Se tudo o que aconteceu não gerasse fruto para elas, então seria inútil. Era de responsabilidade de cada um fazer gerar frutos dignos da unção derramada para suas comunidades. Não fosse assim, tudo não passaria de folia.

O movimento pentecostal em muitos casos foi criticado, pois esses momentos de manifestação do Espírito se restringiram somente a reuniões animadas. Ninguém ousava usar os dons em prol dos que realmente necessitam receber algo. A unção derramada tem finalidade e deve ser usada para isso. Guardar para si é um erro básico, pois, aquele que faz isso perderá e será punido.

Tirem o talento dele e entreguem-no ao que tem dez. Pois a quem tem, mais será dado, e terá em grande quantidade. Mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado. E lancem fora o servo inútil, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes. (Mateus 25:28-30).

O poder exige responsabilidade e sabedoria, pois sem isso vira vaidade e é inutilmente usado. Tudo que nos for dado deverá ser revertido em favor da comunidade, pois não é propriedade daquele que recebeu. E o dono dos recursos nos pedirá contas do que nos foi confiado.

E também será como um homem que, ao sair de viagem, chamou seus servos e confiou-lhes os seus bens. (Mateus 25:14).

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